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Treino de guerra poe 6,5 mil soldados na Amazonia

OESP, Geral, p.A7
19 de Jul de 2004

Treino de guerra põe 6,5 mil soldados na Amazônia Operação de Exército, Aeronáutica e Marinha se estende por 1 milhão de quilômetros quadrados

MANAUS - Desde o dia 13, cerca de 6,5 mil homens do Exército, Marinha e Aeronáutica estão integrados em uma operação militar de treinamento na Amazônia. Batizada de "Operação Timbó 2", ela é um exercício voltado para guerra nas fronteiras do Brasil com Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. A operação estende-se desde a serra do Tapirapecó, no Amazonas, até o município de Triunfo, no Acre, e tem três três objetivos básicos: a vigilância nas fronteiras com todos os países da região amazônica, o patrulhamento das calhas dos rios e a fiscalização dos transportes.
Esse tipo de exercício é dos mais complicados em termos de logística na floresta amazônica. A área a ser explorada é de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados. A distribuição de soldados e equipamentos por tal extensão territorial requer, entre outras coisas, perfeito entrosamento entre as forças envolvidas.
Alguns desses pontos, tidos como prioridade dentro do controle estratégico da região, já foram explorados nesse treinamento. Em ação conjunta, soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica simularam a tomada do porto da Petrobrás, no município amazonense de Coari, a 370 quilômetros de Manaus. Esta ação exemplifica bem o conceito da operação, que é treinar as tropas. O Porto da Petrobrás tem grande importância estratégica na região, pois é por ele que é escoado todo o petróleo e gás de cozinha extraído da Província Petrolífera de Porto Urucu, de responsabilidade da Petrobrás.
Comando combinado - Nesta operação em Coari, todas as forças envolvidas no treinamento foram utilizadas, visando treinar principalmente o comando combinado entre elas. Os fuzileiros navais desembarcaram na cidade pelo rio Madeira, os helicópteros do Exército deram apoio ao combate e os soldados desembarcaram das aeronaves utilizando cordas de rapel. Em poucos minutos os pontos mais importantes foram ocupados e o porto ficou inteiramente sob controle das tropas brasileiras.
Além de treinar as tropas, a Operação Timbó realiza um trabalho revisão no setor de patrulhamento e vigilância da fronteira brasileira - que, nos últimos tempos, tem-se tornado uma preocupação maior para os setores estratégicos. Para atingir tal objetivo, os responsáveis pela operação estão contando com a colaboração de vários outros setores do governo, como a Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Visitantes - Na primeira semana de operação, adidos militares dos Estados Unidos, França, Argentina Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela estiveram no Brasil, conhecendo de perto as ações na Floresta Amazônica. Os adidos militares participaram de uma palestra, ministrada pelo brigadeiro-do-ar Ricardo Machado Vieira no Ministério da Defesa, em Brasília. Depois, esses diplomatas militares deslocaram-se até a região, onde acompanharam o desenvolvimento da operação até a última sexta-feira.
Foram desenvolvidas, também, ações sociais dentro da Operação Timbó 2. Em várias das comunidades ribeirinhas os militares ministraram palestras sobre temas como educação sanitária, educação alimentar, higiene pessoal, medicina preventiva, combate a viroses infantis, controle de doenças transmissíveis, coleta de material para pesquisa de doenças tropicais e infecto-contagiosas, atendimentos médicos, cirúrgicos, odontológicos e emergenciais para as comunidades ribeirinhas.
A operação Timbó 2 continuará com suas tropas espalhadas pela Amazônia até a próxima sexta-feira, quando o Ministério da Defesa apresentará o relatório final sobre as atividades desenvolvidas na região.

OESP, 19/07/2004, p.A7

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