O Globo, Economia, p. 26
20 de Jul de 2013
Trabalho escravo em fazenda de SP
Ministério Público e Polícia Federal resgatam 28 vítimas
CLEIDE CARVALHO
cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br
-SÃO PAULO- O Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal prenderam duas pessoas e resgataram 28 trabalhadores rurais que estavam em condições análogas às de escravo em uma lavoura de café da Fazenda Novo Mundo, no município de Itirapuã, na região de Ribeirão Preto, em São Paulo. Segundo a procuradora Regina Duarte da Silva, os trabalhadores foram trazidos do distrito de Julião, no município de Malhada, na Bahia, com a promessa de receberem uma diária média de R$ 100.
- Eles não haviam recebido qualquer pagamento e acumulavam dívida em um mercadinho do município. As condições de alojamento eram péssimas.
Não havia banheiros, e os trabalhadores eram obrigados a fazer suas necessidades na lavoura. Como não havia camas ou colchões, eles estavam dormindo sobre pedaços de papelão ou espuma - disse a procuradora.
Regina informou que foram presos o dono da Fazenda Novo Mundo, identificado como Ademir Ferreira, e o capataz, identificado como Miguel. Os dois foram indiciados pela prática do crime de redução à condição análoga à de escravo, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão. Procurados, os responsáveis pela Fazenda Novo Mundo não foram localizados.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2012 foram encontrados 2.750 trabalhadores em condições análogas às de escravo. O número representa aumento de 14,3% em relação ao ano anterior, quando foram identificadas 2.491 vítimas.
Na última quarta-feira, o MPF do Pará protocolou no Tribunal Regional Federal da 1ª Região pedido de urgência para o julgamento do processo movido contra o vice-prefeito de Moju, Altino Coelho Miranda.
Em junho passado, ele foi incluído na "lista suja" do trabalho escravo no país, após ser flagrado pela segunda vez por exploração de trabalho escravo na produção de dendê, destinado ao programa nacional de biodiesel na Amazônia. Os procuradores lembram que o processo está parado há cerca de 8 meses no Tribunal.
Em 2009 havia sido condenado a nove anos de prisão, por manter 14 trabalhadores em situação de escravos. As vítimas eram ainda obrigadas a comprar alimentos num mercadinho que pertencia ao filho do vice-prefeito.
Neste mês, o Ministério Público Federal no Pará denunciou o responsável por uma carvoaria em Goianésia do Pará, onde sete trabalhadores foram encontrados em condições semelhantes às da escravidão, e o proprietário da fazenda Lote 6, em Prainha, na região de Santarém, onde 11 pessoas foram resgatadas na mesma situação. Os flagrantes haviam sido realizados em 2008 e 2012
O Globo, 20/07/2013, Economia, p. 26
http://oglobo.globo.com/economia/pf-prende-dois-por-trabalho-escravo-em…
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