Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
16 de Jul de 2003
São 130 parteiras indígenas que discutem a valorização do trabalho nas aldeias
O Conselho Indígena de Roraima (CIR), em parceria com o Grupo Curumin (Organização Não-governamental de Pernambuco), realiza durante toda esta semana o primeiro Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais Indígenas, na Casa Paulo VI, no bairro São Vicente.
O encontro conta com 130 parteiras indígenas, sendo 13 homens. O objetivo é resgatar, valorizar e fortalecer o trabalho tradicional dessas parteiras. O CIR pretende com esse encontro identificar as parteiras, mostrando quem são, onde trabalham e quais as experiências e dificuldades que passaram nas comunidades.
A indígena Maria Inês Mota Rodrigues é parteira há mais de 27 anos na maloca Malacacheta. Ela aprendeu a exercer a atividade com a mãe. "Já acompanhei mais de 50 partos e nunca nenhuma mãe ou filho morreram nas minhas mãos. O parto mais difícil foi de uma criança que estava em pé, mas deu tudo certo. Com esses encontros podemos falar da nossa experiência e aprender com as outras parteiras", disse.
O encontro tem ainda a finalidade de conscientizar sobre a saúde indígena, para melhorar o acompanhamento das gestantes pelas parteiras. A idéia é que elas auxiliem do pré-natal até o parto, diminuindo o risco de mortalidade materna e infantil.
"O CIR verificou que muitas mulheres não querem ter partos na maloca e preferem ir para cidade. Isso acaba desvalorizando o trabalho das parteiras. Pretendemos nesse encontro, mostrar a importância do trabalho delas e diminuir as remoções sem necessidade", esclareceu Gilvanice Baldez Duarte, coordenadora do Programa de Saúde da Criança e da Mulher.
Segundo Núbia Melo, coordenadora do Programa Parteira do Grupo Curumin, há 14 anos é desenvolvida a capacitação junto às parteiras do Brasil, como quilombolas (parteiras que moram em área remanescentes de quilombo), indígenas e não-indígenas. Tenta-se ainda humanizar o parto, conscientizando sobre a importância do parto natural.
"Esse encontro é participativo para que as parteiras possam se reconhecer como uma categoria que tem grande importância na comunidade, resgatando a auto-estima delas. Mostramos ainda que é preciso mudar a preferência pelas operações cesarianas, já que apresentam risco de infecção 12 vezes maior que o parto normal", acrescentou Núbia.
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