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Trabalhadores entram em greve em Belo Monte

O Globo, Economia, p. 23
24 de Abr de 2012

Trabalhadores entram em greve em Belo Monte
Com paralisação por tempo indeterminado, consórcio responsável pelas obras da hidrelétrica no Pará vai recorrer à Justiça

Danilo Fariello
danilo.fariello@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA. Cerca de sete mil trabalhadores entraram em greve por tempo indeterminado ontem no canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA). Uma dos projetos mais caros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com orçamento de R$ 25,9 bilhões, Belo Monte é a terceira hidrelétrica em construção a parar nos últimos meses. Os trabalhadores de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, voltaram ao trabalho, após acordo feito com o consórcio responsável pelas obras.
O Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) divulgou nota em que considera a possibilidade de recorrer à Justiça para acabar com a greve. A empresa diz que está "tomando todas as medidas judiciais visando o encerramento do movimento e o retorno dos funcionários ao trabalho". A ação questionaria a legalidade da greve fora da data-base da categoria, em novembro. Se o movimento for considerado ilegal, o CCBM poderia descontar dos salários os dias parados.
O Sintrapav, sindicato que representa os trabalhadores, manteve um contingente mínimo de 850 pessoas trabalhando em serviços essenciais, como faxina e alimentação, justamente para atender a normas legais previstas nas greves. O CCBM informa estar aberto a negociações, porém entende que o direito de greve não é previsto atualmente, porque o acordo coletivo firmado em novembro do ano passado continua em vigor.
A negociação chegou a dois impasses que motivaram a greve: o primeiro é o pedido dos trabalhadores de elevação do valor referente à cesta básica, de R$ 95 para R$ 300. O consórcio aceita subir apenas R$ 15, para R$ 110. Outro entrave é o período de baixada, intervalo entre licenças remuneradas a que os trabalhadores de fora da cidade têm direito para visitar suas famílias. Os empregados querem que o intervalo caia de seis para três meses. O consórcio já aceitou elevar o período em que os trabalhadores podem ficar em casa, de nove para 19 dias a cada seis meses, mas não aceita reduzir o intervalo entre as viagens.
Apesar da greve, o dia foi tranquilo, mas há um temor, de que situações como as que ocorreram em Rondônia em março - quando alojamentos foram incendiados - ocorram no Pará.

O Globo, 24/04/2012, Economia, p. 23

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