OESP, Nacional, p. A15
19 de Out de 2007
Torres de energia são derrubadas em TO
Empresa suspeita que Movimento dos Atingidos por Barragens tenha participado dos ataques; polícia investiga
Jocyelma Santana
A Polícia Civil do Tocantins está investigando uma série de ataques realizados nos últimos dias contras torres de distribuição de energia elétrica nos municípios de Paranã e São Salvador do Tocantins. Os ataques começaram na sexta-feira e foram repetidos no sábado, na terça e ontem.
Em decorrência de um desses atos, o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica (UHE) de São Salvador, no Rio Tocantins, a 420 km da capital, Palmas, chegou a ficar paralisado durante 27 horas. Em Palmeirópolis, município da região, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido por oito horas.
Victor-Frank Paranhos, presidente da Companhia Energética São Salvador, controlada pelo grupo franco-belga Suez e responsável pela construção da hidrelétrica, classificou como "terroristas" os responsáveis pelos ataques. Segundo suas informações, eles derrubam as linhas cortando os cabos de aço que dão sustentação às torres ou provocando curtos-circuitos.
No início, funcionários da Celtis, a empresa distribuidora de energia, suspeitaram que os ataques estivessem sendo feitos por militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Eles se opõem à construção da hidrelétrica e, desde setembro, mantêm um acampamento com 400 pessoas a 4 km do canteiro de obras. Na segunda-feira, um grupo invadiu a estrada que dá acesso ao canteiro de obras do empreendimento, impedindo durante algumas horas o tráfego de caminhões.
Os integrantes do MAB, porém, negam qualquer participação nos ataques. Dizem que suas manifestações são pacíficas e tentam chamar a atenção para os danos causados às famílias e ao ambiente, em decorrência da hidrelétrica. A polícia, por sua vez, ainda não apontou suspeitos.
A construção da hidrelétrica deve ter impacto sobre 117 famílias. No momento, cerca de 2,8 mil operários trabalham no canteiro de obras. A hidrelétrica, orçada em R$ 880 milhões, deve começar a funcionar em 2009. Quando estiver com sua capacidade máxima, poderá gerar 243,2 megawatts de energia.
OESP, 19/10/2007, Nacional, p. A15
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