GM, Rede Gazeta do Brasil, p.B16
19 de Ago de 2004
Toritama tenta combater degradação
Plano de Gerenciamento Integrado dos Recursos Ambientais foi concebido para recuperar trecho poluído do rio Capibaribe. Com um movimento de industrialização de confecções e de comercialização em jeans estimado pelo Sebrae em R$ 1 bilhão por ano, a cidade de Toritama, no agreste de Pernambuco, está na mira de um plano de gerenciamento integrado dos recursos ambientais, concebido para enfrentar a degradação do trecho do rio Capibaribe que banha a região além do seu ecossistema. Antes de entrar na linha de produção o tecido índigo é lavado 12 vezes e a tintura resultante é jogada no meio ambiente, fato que preocupa ambientalistas e governo.
O plano destinado a enfrentar a situação foi desenvolvido por engenheiros e alunos do 1o Curso de Especialização em Saneamento e Gestão Ambiental, promovido pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco. Em seu conteúdo, traça um diagnóstico dos problemas ambientais da cidade e aponta algumas estratégias de intervenção nas áreas de abastecimento de água, resíduos sólidos, esgotamento sanitário e gestão ambiental. Foram sete meses de estudo, incluindo coleta de informações junto a órgãos públicos, entrevistas com moradores e empresários da localidade, análise de dados e trabalhos de campo, além da formulação das estratégias.
Racionamento
Com relação ao abastecimento de água, o trabalho mostrou que a demanda industrial, muito forte no município, não foi considerada, estando a rede voltada exclusivamente para as residências. Segundo os engenheiros, Toritama vive hoje um grave racionamento que oferece apenas um dia de abastecimento e dez dias sem água. Os engenheiros acham que a questão da água seria solucionada se o reservatório de Tabocas, próximo à cidade de Toritama, fosse destinado apenas ao município e não compartilhado com a cidade de Caruaru que já possui um reservatório adequado à sua população, denominado Jucazinho.
De acordo com o estudo, Tabocas comportaria fornecer água para fins industriais e residenciais até 2024. Outro problema do município é a questão do esgoto. Foi constatado que a rede de esgoto atual é ligada à rede pluvial, e que a maioria dos efluentes doméstico e industrial é jogada, sem tratamento, diretamente no rio Capibaribe. De acordo com o Plano, uma solução seria a construção de um interceptor às margens do rio para a coleta de todo o esgoto e a construção e operação de uma estação de tratamento.
Os engenheiros também sugerem o tratamento e o reuso dos efluentes para fins industriais. Sobre os resíduos sólidos, os engenheiros detectaram, entre outros pontos, que não existe um estudo de otimização de coleta. Na situação atual, todo o lixo da cidade é despejado numa no lixão de Vertentes.
Entre as soluções propostas figura a elaboração e implantação do plano de coleta domiciliar e pública, um plano de coleta seletiva e uma unidade de reciclagem, além da inclusão de Toritama no consórcio intermunicipal do aterro sanitário do vizinho município de Vertentes. O estudo mostra que o poder público de Toritama está desaparelhado para a gestão dos recursos naturais. Os engenheiros apontam a necessidade de se criar um Departamento Autônomo Municipal de Saneamento Ambiental para gerenciamento dos serviços de água, esgoto e limpeza pública. Outro ponto fundamental do Plano de Gerenciamento Integrado é a criação do Distrito Industrial de Toritama, para abrigar as lavanderias, com toda a infra-estrutura necessária: água bruta e tratada, tratamento de efluentes e energia.
Investimentos
Segundo dados do Sebrae, a receita anual da principal atividade econômica de Toritama, o setor de confecções, é de cerca R$ 1 bilhão. Para viabilizar o Plano de Gerenciamento Integrado dos Recursos Ambientais seria necessário 1,3% deste valor. Os engenheiros calculam investimentos da ordem de R$ 13, 7 milhões, distribuídos com R$ 700 mil para abastecimento de água, R$ 10 milhões para o esgotos, R$ 1 milhão para resíduos sólidos enquanto o distrito industrial ficaria com R$ 2 milhões.
"A idéia é debater os resultados deste estudo acadêmico com os órgãos competentes, que detêm o poder de viabilizá-lo. As estratégias propostas pelos alunos, todos engenheiros, são executáveis, tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro", explica Roberto Muniz, presidente do Sinaenco-PE. Toritama abriga atualmente 2 mil e 200 empresas sendo 48 lavanderias e 2.148 confecções e indústrias de apoio à cadeia produtiva. A cidade produz 60 milhões de peças de jeans por ano e joga cerca de 4 milhões de m³ de efluentes por ano no rio Capibaribe.
kicker: Plano precisa de recursos da ordem de R$ 13,7 milhões para ser aplicado
GM, 19/08/2004, p. B16
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