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Tombo quer ser primeira praia de SP a ter 'ISO'

OESP, Metrópole, p. C11
16 de Mar de 2008

Tombo quer ser primeira praia de SP a ter 'ISO'
Para isso,o point de surfistas do Guarujá terá de cumprir 29 requisitos

Comunidade, prefeitura e entidades sociais trabalham para fazer da Praia do Tombo, no Guarujá, a primeira no Estado de São Paulo a ter o selo de certificação socioambiental Bandeira Azul. Espécie de ISO das praias, ele já atesta a qualidade de cerca de 3.200 praias de 36 países, segundo normas internacionais. No Brasil, além do Tombo, outras nove, em cinco Estados, foram aceitas no projeto piloto, desenvolvido há dois anos.
Para conseguir a Bandeira Azul, a praia tem de atender a 29 requisitos, divididos em quatro grupos: educação e informação ambiental, qualidade da água, gestão ambiental e segurança e serviços. Para que o Tombo receba a certificação, foi requisitada uma série de obras, entre as quais rampas de acesso a deficientes, criação de espaço para atividades educativas, instalação de lixeiras e sistema de segurança.
A cidade conseguiu R$ 400 mil do Ministério do Turismo para obras de adequação e planeja concluí-las este ano. "Para que a balneabilidade da praia seja garantida, temos trabalhado em sintonia com vários parceiros e procuramos envolver a Sabesp no programa", afirma o secretário de Turismo do Guarujá, Walter Batista. "Essa certificação é importante, marcará uma nova época para o Guarujá."
A Bandeira tem de nascer de uma parceria entre ONGs, poder público e moradores. São as organizações que coordenam os esforços. A certificação é concedida pela Foundation for Environmental Education (Fee), representada no Brasil pelo Instituto Ambiental Ratones, de Florianópolis (SC), e desenvolvida localmente no Guarujá pela organização Caá-oby.
Segundo a diretora da Caáoby, Cristina Guitton, a candidatura do Tombo foi postulada pela qualidade de sua água, que passa 80% do ano em boas condições, segundo a Cetesb. "Esse critério foi o mais importante. A Bandeira foi criada para praias urbanizadas, não para as desertas."
Para o biólogo da Caá-Oby Carlos Vinícius Cantareli, o maior desafio do Tombo até o momento foi mobilizar a comunidade. A certificação exige a formação de um conselho gestor local da praia. "Quando escolhemos esse lugar, sabíamos que havia uma organização dos surfistas, que fazem campeonatos regulares, mas daí a haver mobilização tem uma grande diferença."
Antônio Poleti, da Agência Costeira - entidade de Santos que ajuda o Instituto Ratones a tocar o projeto da Bandeira Azul -, conta que outras praias, como a de Pernambuco, também no Guarujá, querem candidatar-se à certificação. Mas, de todas da Baixada Santista, apenas mais esta conseguiria obtê-lo na avaliação do especialista. "Pelas condições de balneabilidade mesmo. A maioria dessa região tem problemas de qualidade da água."
As outras praias do País que servem de pilotos para a Bandeira Azul são a Praia do Forte, em Mata de São João (BA), a Praia da Penha, em Vera Cruz (BA), a Praia do Tiririca, em Itacaré (BA), a Ilha do Boi, em Vitória (ES), a Castelhanos, em Anchieta (ES), a Prainha do Rio de Janeiro (RJ), e mais três em Florianópolis (SC): Jurerê Internacional, Praia do Santinho e Praia Mole.
Países como Espanha e Grécia, que vivem do turismo praiano, estão entre os que mais têm praias certificadas. Para a bióloga Marinez Scherer, do Instituto Ratones, a conquista do título qualifica até o setor turístico brasileiro. E ela avisa: "Conquistá-lo é mais fácil do que mantê-lo." Qualquer tipo de desrespeito aos 29 critérios, incluindo até problemas fundiários como invasões de área pública, comum nas cidades litorâneas, é o suficiente para a Bandeira cair.

OESP, 16/03/2008, Metrópole, p. C11

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