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TJ tenta regularizar áreas de grileiro

OESP, Nacional, p. A10
03 de Fev de 2006

TJ tenta regularizar áreas de grileiro
Propriedade de 350 mil hectares fica na região sul do Amazonas

Liege Albuquerque

O Tribunal de Justiça do Amazonas entrou com recurso sexta-feira no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ordenando a concessão de certificado de cadastro de imóvel rural (CCIR) de mais de 350 mil hectares ao empresário amazonense Mustafa Said, que é apontado como grileiro pela CPI da Grilagem. A área fica no município de Pauini, a 935 quilômetros de Manaus, no sul do Estado. Segundo o relatório final da CPI, de 2002, "o sr. Mustafa Said chegou a ter matriculados em seu nome mais de 3 milhões de hectares, de um total de pouco mais de 240 mil hectares de que disporia de documentação".
Ontem, o Incra enviou ao corregedor do TJ, Ubirajara de Moraes, ofício informando que não pode conceder o CCIR porque a área está "dentro do rol de imóveis grilados e constantes de relatório da CPI da Grilagem". Segundo o superintendente do Incra, João Pedro Gonçalves, "trata-se de uma parte das mesmas terras que a CPI já apontou como ilegais" no nome de Said. "Não dá para entender porque o TJ entrou com esse recurso indevido, já que a via correta seria a Justiça Federal, que certamente não proporia um CCIR para uma área grilada", argumentou João Pedro. "Vamos ainda denunciar a ação do TJ ao Conselho Nacional de Justiça."
O desembargador que assina a ordem, Francisco das Chagas Auzier, disse ontem que tinha "apenas pedido uns documentos ao Incra" e que não tinha tempo para declarações. A secretária de Moraes disse que ele estava em viagem. Said também foi procurado pelo Estado, mas não foi encontrado. Segundo João Pedro, desde a conclusão da CPI foram canceladas emissões de CCIR. "Nos últimos 3 anos, para tentar coibir a grilagem, não foram expedidos documentos. Em dezembro foram liberados, mas com cautela e ordenamento." A área que Said quer chama-se Seringal São Pedro. O relatório da CPI dedica-lhe 6 páginas.
"A gleba São Pedro foi transferida em 27 de março de 2001 pelo empresário Mustafa Said como aporte de capital na sociedade Inter American Resources Amazonas", destaca o texto.
INVASÃO
Em sua primeira ação do ano no interior de São Paulo, o Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiu anteontem a Fazenda Santa Fé, em Buri, região sudoeste do Estado. O grupo, de cerca de 100 pessoas, já havia sido despejado em novembro. Ele quer que o Incra vistorie a fazenda, de 2 mil hectares, pois a considera improdutiva.
Em Rancharia, as 100 famílias que ocuparam a Fazenda do Aprumado, há uma semana, deixaram a área ontem, acatando ordem de despejo dada pela justiça em favor do dono, o ex-governador Paulo Egydio Martins. As terras estão sendo negociadas com o Incra.

35 entidades protestam contra prisão de líderes

Mônica Bernardes

Três dias depois de a Justiça pernambucana decretar a prisão 5 lideranças do Movimento dos Sem-Terra, 35 entidades civis ligadas à luta pela reforma agrária e aos direitos humanos realizam, hoje, um protesto em frente ao fórum de Gameleira, na Zona da Mata sul do Estado. Durante a mobilização, os advogados do MST ingressarão com o pedido de relaxamento de prisão contra os sem-terra, acusados pelos crimes de formação de quadrilha, incitação, apologia ao crime e desobediência legal durante a ocupação do Engenho Pereira Grande, em novembro. "A Justiça está criminalizando nossa luta e isso não está certo", afirma José Cláudio da Silva, que integra a coordenação estadual do MST.

OESP, 03/02/2006, Nacional, p. A10

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