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Thereza Collor: cruzada contra obra

OESP, Nacional, p. A9
15 de Mai de 2008

Thereza Collor: cruzada contra obra

Em São Paulo, musa do impeachment é estrela de evento contra projeto do governo Lula para Rio São Francisco
Daniel Bramatti
O trio Os Fortes do Forró termina a execução do clássico Asa Branca e convida a platéia a cantar o Hino Nacional num arranjo de zabumba, triângulo e sanfona. É a senha para que suba ao palco Thereza Collor, musa do impeachment e madrinha do peixe-boi, agora elevada à condição de líder de um movimento contra a transposição do Rio São Francisco.

Em um centro cultural da Vila Madalena, em São Paulo, Thereza agradece aos presentes - especialmente ao prefeito Inácio Loiola, de Piranhas (AL), "a primeira cidade a se erguer contra a transposição" - e conclama todos a abandonar a apatia. "O rio já sofreu demais. Não podemos cruzar os braços e ser coniventes com sua destruição", afirma, ao apresentar uma maratona de oito palestras de ambientalistas, especialistas em recursos hídricos e políticos, todos contrários à obra que o governo Luiz Inácio Lula da Silva quer deixar como marca no Nordeste.

O evento antitransposição, realizado ontem à noite, reuniu cerca de 50 pessoas, muitas do Nordeste e de Brasília, quase todas de alguma maneira conectadas a Thereza. Por que promover a reunião em São Paulo? "É a caixa de ressonância do Brasil. Se fosse em Alagoas, não teria repercussão", ela explica, enquanto mostra fotos que fez em trechos quase secos do São Francisco e fala sobre sua atuação em defesa do peixe-boi, mamífero ameaçado de extinção.

Os argumentos contra a obra são vários: a vazão do rio já caiu demais; a transposição atende mais a interesses políticos e econômicos que à população do semi-árido; as regiões que receberão a água mentem ao contabilizar seu déficit hídrico.

A origem dos palestrantes - majoritariamente de Estados que perderão água - é uma mostra da guerra regional que se trava desde que o primeiro plano de transposição foi esboçado, no ínicio dos anos 80. "É o governo federal quem provoca essa divisão. Espalha a versão de que os sergipanos estão negando um copo d'água aos irmãos do Ceará", diz Thereza.

Para exemplificar seus temores de danos ambientais, ela cita a transposição do rio Colorado, nos Estados Unidos, que chega a secar antes da foz por conta do uso intensivo da água em indústrias e plantações. "Também estive no Cazaquistão e vi o que aconteceu com o Mar de Aral" - lago que perdeu mais da metade da superfície graças a projetos da era soviética. Viajou ao Cazaquistão por causa do São Francisco? "Não, aí foram meus interesses etnológicos, mesmo."

OESP, 15/05/2008, Nacional, p. A9

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