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Termoelétricas do Sudeste serão acionadas

OESP, Economia, p. B2
11 de Jan de 2008

Termoelétricas do Sudeste serão acionadas
Geração imediata é de 800 MW; após solução de questões de transporte, pode chegar a 1.200 MW

Leonardo Goy e Isabel Sobral

Para tentar poupar os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu ontem mandar ligar seis usinas térmicas movidas a óleo instaladas na região. Somadas, essas usinas têm capacidade para gerar 800 megawatts (MW) de imediato. Em um segundo momento, após solucionar questões que envolvem o transporte do combustível, a geração de energia pelas térmicas a óleo do Sudeste pode chegar a 1.200 MW.

Além disso, segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a partir da segunda semana de fevereiro será concluído o gasoduto Cabiúnas-Vitória, que transportará um volume adicional de 5,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural da Bacia do Espírito Santo. Com esse gás novo, já em fevereiro a térmica de Macaé (RJ) poderia acrescentar mais mil MW ao sistema.

Apesar dessas medidas emergenciais, o governo continua descartando um novo apagão. Segundo Hubner, na reunião do CMSE "não se falou na possibilidade de racionamento". O ministro disse ainda que o governo não vê necessidade de fazer campanhas junto à população para incentivar a economia de energia porque, segundo ele, neste momento, todo o esforço está sendo feito no sentido de buscar alternativas de energia. Hubner descartou também reflexos ao consumidor, como aumento de tarifas, como decorrência do acionamento das térmicas. "Não haverá reflexo algum nos preços porque essas térmicas acionadas hoje já têm os seus contratos assinados."

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que a situação da infra-estrutura de energia elétrica no País é muito diferente da de 2001, quando foi decretado o racionamento de energia. A primeira diferença, segundo Tolmasquim, é o fato de o País ter hoje uma malha de transmissão muito mais ampla, o que permite deslocar fluxos de energia de uma região para outra. O segundo fator é a existência de um parque de termoelétricas. "Nossa decisão é ir colocando esse parque para funcionar."

O governo acredita que o País tenha, ainda, um estoque de 4 mil MW que podem ser gerados por térmicas, incluindo os 2,2 mil MW das térmicas a óleo do Sudeste e a usina de Macaé. Tolmasquim disse que, se for necessária uma geração acima desses 2,2 mil MW, outras medidas serão analisadas, como a disponibilização, para as térmicas, de parte do gás que a Petrobrás usa nas refinarias.

Ele acrescentou ainda que, no fim do primeiro semestre, o País terá uma oferta adicional de cerca de 6 milhões de metros cúbicos diários de gás com o início das operações da unidade de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no Porto de Pecém, no Ceará.

Segundo Tomalsquim, apenas em último caso o governo adotaria algum tipo de medida para usar, na geração de energia, o gás que abastece outros consumidores, como as indústrias ou os automóveis. A medida, porém, não está descartada. "Se houver uma piora da água nos reservatórios, teremos de estudar se precisaremos tirar gás de setores que podem usar outros combustíveis."

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, afirmou que o órgão trabalha com as previsões de clima dos institutos de meteorologia, que são otimistas quanto ao volume de chuvas para os próximos três meses.

POLÊMICA

O ministro Nelson Hubner negou haver divergências entre o governo e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman. A polêmica começou com a declaração de Kelman de que, apesar de pouco provável, não seria impossível haver racionamento de energia neste ano.

Tanto Hubner como Tolmasquim minimizaram o impacto da declaração. "Há pouca chance de um meteoro cair aqui neste momento, mas não é impossível", ironizou Tolmasquim.

OESP, 11/01/2008, Economia, p. B2

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