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Térmicas vão ganhar maior fatia na geração

OESP, Economia, p. B4
09 de Mar de 2011

Térmicas vão ganhar maior fatia na geração

Participação das térmicas na matriz energética deve subir de 25% para 31,4%

Glauber Gonçalves

A necessidade de aumentar a capacidade de geração de energia elétrica para sustentar um crescimento robusto da economia está empurrando o Brasil em direção a uma matriz energética mais suja. Com a implementação dos projetos em construção e os licenciados nos últimos anos, a participação das térmicas deve passar dos atuais 25% para 31,4%, aponta um estudo recente feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Embora aí estejam incluídas usinas de biomassa, consideradas menos poluentes, a alta da participação das termelétricas na matriz é puxada pelas fontes de combustíveis fósseis, como óleo diesel e carvão mineral. Dentre os empreendimentos à base térmica, os movidos a carvão mineral, um dos mais poluentes, praticamente triplicarão sua participação.
Ainda que o País não repita nos próximos anos a alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5% registrada em 2010, o avanço de fontes mais poluentes é inevitável, de acordo com especialistas no tema. "A quebra dessa proporção é muito difícil, porque o Brasil vai crescer muito. Mesmo que seja um crescimento de menos de 5%, ele exige uma expansão grande da quantidade de energia disponível e apenas as fontes alternativas renováveis não dão conta de suprir", afirma Gesmar Rosa dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
Com o objetivo de garantir que não faltará energia em períodos de baixo nível de água nos reservatórios das hidrelétricas, as térmicas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) ficam de prontidão e são acionadas em situações emergenciais. Para as grandes indústrias, que instalam térmicas para uso próprio, essa é também é uma segurança de que haverá energia para tocar seus negócios.

Autoprodução

Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que a autoprodução (geração de eletricidade com instalações próprias) dos grandes consumidores industriais de energia vai saltar de 20.463 gigawatts-hora (GWh), no ano passado, para 43.128 GWh, em 2020, com os maiores crescimentos previstos nas regiões Sul e Norte.
Se a implantação de novas térmicas no País é apontada como necessária para diversificar a matriz energética, a maneira como o processo vem sendo conduzido pelo governo é alvo de críticas. Especialistas acreditam que o Ministério de Minas e Energia não tem feito o bastante para incentivar o setor privado a investir em térmicas movidas a combustíveis menos poluentes como biomassa, em detrimento do carvão mineral, por exemplo.

Movimento lento

Apesar da perspectiva de que no futuro os combustíveis sujos cedam lugar aos mais ambientalmente corretos - a Eletrobrás, por exemplo, sinalizou que não pretende mais construir térmicas a carvão ou a óleo -, a avaliação é de que esse movimento ocorre mais lentamente do que deveria.
"O governo não pode olhar para o setor elétrico como um coletor de impostos, mas sim como um dínamo da economia. É preciso rever os encargos setoriais e a carga tributária", afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Sem políticas que confiram atratividade suficiente às fonteecologicamente corretas, as empresas acabam recorrendo às fontes mais baratas e viáveis economicamente.
Por outro lado, a caminhada em direção às térmicas tem sido impulsionada também por atrasos nos projetos de hidrelétricas. "O principal motivo é a má qualidade dos projetos executivos, que não atendem à legislação e, por isso, não tem como ser liberados". diz Santos, do Ipea.
Soma-se a isso uma demora dos processos de licenciamento além do necessário. A justificativa é deficiência de pessoal nos órgãos ambientais.

Interessados

Para as empresas de energia, a maior abertura para as termelétricas já está se convertendo em ganhos. A finlandesa Wärtsilä, por exemplo, espera dobrar de tamanho no Brasil em cinco anos. Em 2010, as operações da empresa no País foram responsáveis por receitas de R$ 1 bilhão, do total de ? 4,6 bilhões faturados no mundo.
"O Brasil é um dos melhores países para se investir em função das possibilidades futuras. Há uma demanda por energia elétrica que não para de crescer", afirma Jorge Alcaide, diretor da companhia. A empresa está construindo a usina a óleo em Suape II, em Pernambuco. Com capacidade instalada de 380 megawatts (MW), a planta é a maior já feita pela empresa em seus 166 anos e deve entrar em operação em janeiro de 2012.

OESP, 09/03/2011, Economia, p. B4

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/2011030/not_imp689446,0.php

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