Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
19 de Abr de 2004
Em Mato Grosso pelo menos mais quatro áreas indígenas vivem sob tensão constante em razão das disputas fundiárias.
Nos dois últimos anos a Polícia Federal teve que intervir em conflitos que opuseram índios e produtores rurais das regiões de Alto Boa Vista, Santa Teresinha, Apiacás e Primavera do Leste.
Nesta última, a tentativa da Funai de ampliar as áreas indígenas causou revolta entre os fazendeiros. Um índio foi baleado e o escritório do órgão no município acabou incendiado.
Na região, as reservas de Sangradouro e Volta Grande somam juntas 100,2 mil hectares, ocupadas por xavantes e bororos.
No Parque Nacional do Xingu, 14 etnias lutam para conter o avanço das plantações de soja nos limites da reserva, criada em 1961. Os índios Kaiaby, além de entrar em confronto com produtores agrícolas, reivindicam a criação de uma reserva na região. Os índios já foram inclusive impedidos judicialmente de permanecer em uma área já ocupada por eles, mas que estava em estudos pela Funai. Na região da fazenda Suiá-Missú o embate dos índios é com os posseiros. Os xavante foram retirados da região na década de 70, por forças do governo federal, para ceder lugar a um projeto de ocupação. Na década de 80, os posseiros ocuparam os 168 mil hectares deixados com o fracasso do projeto. A iminência de um grande confronto motivou a vinda do vice-presidente da República José de Alencar no ano passado. Mas não houve acordo. A disputa, além do campo, ocorre também na Justiça. (DP)
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.