O Liberal-Belém-PA
20 de Ago de 2004
Índios do Pará, Amapá e Maranhão reclamam do atendimento que recebem nos hospitais públicos e privados de Belém que são conveniados ao SUS
Os índios alojados na Casa de Saúde Indígena (Casai) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no distrito de Icoaraci, em Belém, denunciaram ontem o péssimo atendimento que recebem na rede hospitalar através do Sistema Único de Saúde (SUS). "O problema com o atendimento ao índio não ocorre aqui, na Casa do Índio, mas, sim, no SUS e hospitais", denunciou o líder da etnia Xipaia, Luiz Xipaia, 30 anos, que está na Casai, onde acompanha sua irmã Mazé Xipaia, 31 anos, em tratamento de câncer.
Presidente da Associação Arikafu, que reúne lideranças Xipaia e de outras etnias da região de Altamira, Luiz Xipaia informou que na Casai, em Icoaraci, o atendimento aos indígenas tem sido satisfatório. Mas, o atendimento diferenciado aos índios nos hospitais, previsto em lei, não é cumprido.
"Quando o atendimento médico aos índios mudou da Funai (Fundação Nacional do Índio) para a Funasa, era para ser um atendimento diferenciado nos hospitais, mas isso não acontece, porque os hospitais conveniados com a Funasa recebem um incentivo (verbas) do governo, que varia de R$ 4 a R$ 8 mil por mês para esse atendimento", destacou Luiz Xipaia. "Era para ser sem fila, rápido e de qualidade", completou.
Mas, de fato, como relatou Luiz, há indígenas que aguardam para ser consultados por até dois meses. "Para exames, tem índio que espera de seis a oito meses", afirmou. Segundo Luiz Xipaia, o atendimento ao índio era melhor no tempo da Funai, porque, apesar da dificuldade de recursos financeiros, os indígenas eram atendidos na própria Casai, em Icoaraci. Hoje, na Casai, a Funasa mantém um médico e um odontólogo atendendo os índios, mesmo sem constar do cronograma da fundação, para atendimentos eventuais de pacientes e acompanhantes. No caso do médico, os medicamentos necessários são viabilizados no conjunto das receitas dos médicos da Rede SUS. Mas, quanto aos odontólogos, falta estrutura, como disse o índio Xipaia.
Os índios reclamam do odor vindo de um curtume na estrada do Outeiro, perto da Casai. Outro problema na Casai são assaltos constantes na rua Brasília. No domingo, por volta das 19 horas, assaltantes levaram a arma de um vigilante da Casai.
Demanda - Como informou a enfermeira Vilma OIiveira, chefe da Casai, ao local comparecem pacientes indígenas para tratamento especializado. Esses índios vêm de todo o Pará, Amapá e Maranhão, com consultas marcadas em hospitais. No momento, 103 índios (42 doentes e 61 acompanhantes) estão na Casai, entre crianças e adultos. Estão alojados na Casai índios das etnias Xipaia, Caiapó, Assurini, Paracanã, Wai-Wai, Tembé, Mundurucu e Curuai.
Nas consultas nos hospitais, os índios são acompanhados por técnicos da Funasa. As doenças mais comuns apresentadas pelos indígenas são problemas de estômago e na área de ortopedia. Os indígenas recebem tratamento odontológico especializado, via SUS, por não disporem do serviço nos pólos da Funasa no Estado. Um índio chega a ficar em média de dez a 15 dias na Casai. Por mês, a média de chegada de indígenas adoentados à Casai é de 157, mas já chegou a 190.
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