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Autor: Ana Pastana
10 de Mar de 2026
10 de março de 2026
BOA VISTA (RR) - O Estado de Roraima registrou aumento de casos de coqueluche até 21 de fevereiro de 2026. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesau), dos 16 casos confirmados da doença, 11 ocorreram entre indígenas da etnia Yanomami. Três óbitos foram confirmados, todos em lactentes com menos de seis meses de idade, grupo considerado de maior risco para a infecção.
No dia 19 de fevereiro, a Urihi Associação Yanomami publicou um comunicado em sua página oficial no Instagram informando que, desde o dia 13 do mesmo mês, acompanha a situação sanitária na região de Surucucu. Na nota, a associação afirma que, até aquela data, foram registrados cinco óbitos causados pela doença, número diferente do divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), que confirma três mortes.
"A situação é extremamente preocupante e está relacionada, entre outros fatores, à falha na cobertura vacinal da população Yanomami contra a coqueluche, o que aumenta significativamente o risco de agravamento e disseminação da doença, especialmente entre crianças", diz um trecho da nota.
Um post compartilhado por URIHI - ASSOCIAÇÃO YANOMAMI (@urihiyanomami)
Segundo a Sesau, todos os casos foram confirmados por critério laboratorial, com maior incidência entre crianças menores de um ano de idade. Em relação à situação vacinal, apenas dois pacientes haviam iniciado o esquema de imunização contra a coqueluche por meio da vacina pentavalente.
Ainda de acordo com a secretaria, do total de casos confirmados em 2026, dois foram importados da Venezuela. Os demais registros incluem um caso em Boa Vista, um no município de Caroebe e outro importado do Estado de Pernambuco.
A imunização é considerada o principal método de prevenção da coqueluche. A vacinação está disponível nas Unidades Básicas de Saúde. No caso dos povos indígenas, a imunização nos territórios é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde responsável pela organização das ações de atenção básica nesses territórios.
A CENARIUM entrou em contato com a Sesai para solicitar informações sobre as notificações e o esquema vacinal contra a doença. Em nota, a secretaria informou que desde o início de fevereiro, o Ministério da Saúde reforçou as equipes de saúde e enviou especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS) e da Força Nacional do SUS (FN-SUS) para reforçar a assistência e a vigilância no Território Yanomami.
A nota informa ainda que foram contabilizados, até o momento, 20 casos confirmados, com três óbitos e que todos os pacientes com suspeita de coqueluche e contactantes estão em tratamento e acompanhamento do estado de saúde.
Sobre o esquema vacinal das crianças indígenas, a vacinação dobrou nos últimos três anos, de acordo com a Sesai, passando de 29,8% para em 2022 para 57,8%, em 2025. Entre crianças menores de cinco anos, essa taxa aumentou de 52,9% em 2022 para 73,5% em 2025.
A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis. A doença se caracteriza por crises intensas de tosse seca, que podem dificultar a respiração e provocar vômitos.
Em bebês, especialmente aqueles com menos de seis meses, que geralmente ainda não completaram o esquema vacinal, a infecção pode evoluir para complicações graves, como pneumonia e pausas na respiração, que podem levar à morte.
26.02.2026- NOTA No348 - SESAU - Sobre os casos de coqueluche em RoraimaBaixar
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