OESP, Economia, p. B6
19 de Jan de 2007
Supergasoduto vai em frente
Petrobrás e PDVSA decidem prosseguir com estudos
Nicola Pamplona, RIO
Brasil e Venezuela decidiram levar adiante os estudos do Gasoduto do Sul, que levaria gás venezuelano até a Argentina. No primeiro momento, as estatais Petrobrás e PDVSA estudarão só um trecho inicial que vai até Pernambuco, passando por Manaus e com ramais em todas as capitais nordestinas no caminho. As duas empresas se comprometeram a concluir o projeto conceitual ainda este ano para, já em 2008, desenvolver o projeto básico de engenharia.
O anúncio foi feito ao final do primeiro dia da Cúpula do Mercosul, em cerimônia com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez. Segundo o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, os dois presidentes assinaram um memorando de entendimentos que poderá garantir que o projeto seja concluído sem percalços regulatórios. Para ser levado adiante, disse o executivo, o projeto terá de ser objeto de um tratado bilateral que imponha garantias de respeito ao investimento.
O gasoduto começou a ser estudado no início de 2006, considerando o transporte do gás venezuelano por todo o território brasileiro, cruzando o Uruguai, até Buenos Aires. Ontem, os executivos afirmaram que a participação de outros países é bem vinda, mas o primeiro trecho, de 5 mil quilômetros e capacidade para transportar 50 milhões de metros cúbicos por dia - pouco mais do que o Brasil consome atualmente, será estudado em separado para garantir maior agilidade ao processo. As empresa não fizeram estimativas de investimentos.
O trecho em estudo sairá de Güiria, no Norte da Venezuela, e transportará gás do projeto Mariscal Sucre, controlado pela PDVSA, mas com possibilidade de ceder 35% à Petrobrás. Mariscal Sucre tem reservas estimadas em 400 bilhões de metros cúbicos. Metade seria exportada para o Brasil.
Pela manhã, Chávez já havia dado sinais de que um acordo estava próximo. "Estamos conversando sobre vários assuntos, sobretudo o gasoduto", afirmou. "Não se preocupe, Brasil, que todo o gás de que vocês precisam está na Venezuela."
A declaração provocou suspeitas de que ele estaria deixando de lado a Bolívia, principal supridor do mercado brasileiro. "Não entendo isso como uma competição. Seria burrice competirmos entre nós", disse mais tarde o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas.
OESP, 19/01/2007, Economia, p. B6
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.