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Substância produzida pelo corpo poderia tratar a malária

Reuters-São Paulo-SP
25 de Fev de 2003

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que um nutriente naturalmente produzido pelo corpo e encontrado em alguns alimentos poderia ser um novo tratamento para a malária.
Os cientistas estudaram 75 crianças na África e descobriram que aquelas com os mais baixos níveis do nutriente arginina sofriam os efeitos mais graves da malária.
Eles acreditam que a combinação da arginina, que é usada para tratar doenças cardíacas e circulatórias, com remédios para a malária, seria uma forma mais eficiente de combater a doença transmitida por mosquitos e que mata uma pessoa a cada 30 segundos.
"A arginina pode ter potencial como uma droga complementar para aumentar os medicamentos já existentes contra a malária e para prevenir as complicações da doença", disse Nicholas Anstey, pesquisador que trabalhou no estudo.
O especialista em malária da Escola de Saúde Pública de Menzies, em Darwin, na Austrália, e seus colegas nos Estados Unidos e na Tanzânia descobriram que níveis extremamente baixos de arginina e muito poucos de óxido nítrico foram relacionados aos casos mais sérios de malária.
Brice Weinberg, da Universidade Duke e do Centro Médico Durham VA, na Carolina do Norte, participou da pesquisa e disse que a arginina pode ser administrada oralmente, o que é um atrativo para países que não têm um sistema de saúde sofisticado.
Até agora, a arginina produziu poucos efeitos colaterais nas pessoas com sintomas moderados da doença, mas os cientistas não sabem como afetaria pacientes muito doentes.
"Nosso plano seria usar medicamentos convencionais que bloqueiam o crescimento do parasita, e usar esse remédio na esperança de estimular a produção de óxido nítrico do sistema", disse o grupo em suas conclusões.
A arginina é um aminoácido que estimula a produção de óxido nítrico, substância química que relaxa os vasos sangüíneos e promove o fluxo do sangue ao manter as artérias flexíveis. O óxido nítrico pode matar parasitas.
A malária é causada por um minúsculo parasita que é transmitido pela mordida de um mosquito fêmea.
A doença causa febre, rigidez muscular, sudorese e tremores, e aflige cerca de 300 milhões de pessoas a cada ano, matando mata mais de um milhão, a maioria crianças pequenas, na África.
A malária cerebral é a forma mais mortal da doença. Drogas como a cloroquina e a quinina são usadas para tratar a malária, mas a resistência aos medicamentos é um problema crescente em muitas áreas onde a doença é endêmica.
Os cientistas acreditam que a arginina poderia ser usada para tratar e possivelmente prevenir a malária.
Os pesquisadores disseram que altos níveis de arginina e óxido nítrico poderiam aumentar o fluxo sangüíneo e impedir que as células infectadas pelo parasita aderissem às paredes dos vasos.
Estudos em laboratório, o óxido nítrico mata os parasitas da malária e impede que eles cresçam.
Os cientistas também acreditam que altos níveis de óxido nítrico podem evitar que uma pessoa fique doente se já estiver infectada.
"Foi demonstrado em experiências com humanos e animais que o óxido nítrico pode evitar a produção de outras moléculas no corpo que fazem uma pessoa adoecer", disse Weinberg.
(Com informações da Reuters

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