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Subir para sobreviver

O Globo, Amanhã, p. 3
17 de Set de 2013

Subir para sobreviver
Aumento da temperatura vai obrigar floresta nublada do Peru a se deslocar para altitudes maiores com uma velocidade sem precedentes

Protegida nas encostas orientais da Cordilheira dos Andes, a floresta nublada peruana abriga uma das mais abundantes e inexploradas biodiversidades do mundo. Ela contém nada menos do que um terço dos mamíferos, aves e espécies de árvores do Peru. Mas, como sempre dependeu das condições climáticas que favorecem sua intensa umidade, esta riqueza se encontra cada vez mais ameaçada pelo aumento da temperatura global.
Pesquisadores da Wake Forest University, em Winston-Sal, Carolina do Norte, afirmam ter reunido novas provas de que o rápido aquecimento do século 21 poderá provocar a perda de 53% a 96% das populações presentes nas florestas nubladas. O estudo foi publicado na semana passada na revista científica eletrônica "Plos One".
O habitat da maioria das plantas dos Andes - e dos animais que vivem nelas - é determinado pela temperatura, fazendo com que só vivam em uma área que se estende por algumas centenas de metros. Para compensar esta limitação, as plantas destas florestas se deslocam brotando em altitudes mais elevadas. O problema é que a temperatura muda muito rápido nas encostas das montanhas, e o terreno íngreme em que estão localizadas as espécies não está preparado para o aquecimento global.
Já se sabia que as mudanças climáticas estavam afetando consideravelmente as florestas nubladas peruanas. Agora, porém, os pesquisadores afirmam que, se o aumento de cinco graus previsto para a região se confirmar nos próximos anos, as árvores terão que se deslocar com uma velocidade sem precedentes. Um dos autores da pesquisa, o professor de biologia Miles Silman afirma que a vegetação terá que migrar cerca de 914 metros de altitude para suportar o ritmo do aquecimento até 2100.
Se as autoridades quiserem salvar as florestas peruanas, precisarão descobrir como ajudá-las a realizar esta difícil operação. Segundo o professor David Lutz, chefe da pesquisa, resta apenas uma saída: uma intervenção.
- Nosso próximo passo é trabalhar com conservacionistas locais e internacionais para chegar a um plano que ajude as florestas nubladas a se manterem sempre subindo.

O Globo, 17/09/2013, Amanhã, p. 3

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