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Subaproveitado, 60% de resíduo reciclável vai para lixão

OESP, Metrópole, p. C5
27 de Fev de 2012

Subaproveitado, 60% de resíduo reciclável vai para lixão
Só 214 das 15 mil toneladas de lixo produzidas por dia são encaminhadas para reciclagem na capital

Pelo menos 60% do lixo reciclável separado pelos moradores em suas casas vai parar no lixo comum. Contratadas para fazer a coleta seletiva porta em porta, as duas concessionárias responsáveis pelo serviço, Loga e Ecourbis, afirmam ter dificuldades no descarte. Falta espaço, estrutura e mão de obra para as centrais de triagem receberem o volume recolhido em São Paulo. Há dias em que os caminhões de coleta não deixam a garagem.
O problema se arrasta desde o ano passado, quando as cooperativas conveniadas à Prefeitura passaram a trabalhar no limite da capacidade. Segundo o contrato de concessão vigente até 2024, Loga e Ecourbis devem levar o lixo coletado a uma dessas 21 cooperativas. Muitas delas, no entanto, não contam sequer com esteiras para separar o lixo. A Prefeitura é responsável por entregá-las aos catadores.
Oficialmente, só 214 das 15 mil toneladas de lixo produzidas por dia são encaminhadas para a reciclagem e esse porcentual de apenas 1,4% não é todo reutilizado.
Segundo a Loga, o refugo (sobra) das cooperativas chega a 60%. Na conta do desperdício, além da falta de estrutura, há outros dois problemas: materiais malconservados e interesses do mercado. Se o preço do plástico, por exemplo, está em baixa, o produto é descartado.
Também acontece de o caminhão não recolher os sacos deixados pelos moradores. Bairros da zona sul atendidos pela Ecourbis, como Moema e Vila Mariana, são alguns dos que mais sofrem. A empresa assume que deixa de passar quando não encontra espaço nas cooperativas.
As centrais de triagem reivindicam esteiras, uniformes e reformas para aumentar a capacidade. Na zona leste, as cooperativas Chico Mendes e a Cooperleste, ambas na região de São Mateus, ainda separam o lixo manualmente. A falta de estrutura atrasa o serviço, afasta funcionários e reduz os lucros.
A Prefeitura informa que investe R$ 1,6 milhão por mês no apoio às cooperativas e, quando identifica irregularidades, multa as empresas de coleta. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços, foram 139 multas desde 2010. A administração afirma que apenas 20% do lixo domiciliar é passível de reciclagem - desse total, 8,5% seria separado.
A Secretaria diz que estuda modificar a legislação que impõe a entrega do material reciclável apenas às cooperativas conveniadas. O objetivo é criar uma "porta alternativa" para que a coleta não seja desperdiçada. / A.F.

Para desafogar sistema, SP espera 17 novas centrais

O planejamento faz parte do contrato, mas ainda não saiu do papel. Agora, diante da dificuldade encontrada para descartar o material reciclável, as concessionárias responsáveis pela coleta afirmam que só aguardam sinal verde da Prefeitura para iniciar a construção de 17 novas centrais de triagem. Quando prontas, em 2013, devem desafogar o sistema e ampliar a capacidade de São Paulo de reciclar seu lixo.
A Ecourbis fará 12 unidades. Segundo o presidente da empresa, Nelson Domingues, elas evitarão que os caminhões deixem de coletar. "Hoje, o problema é tão grave que chegamos a esperar até quatro horas para poder descarregar. Assim, os atrasos são inevitáveis", diz.
Outras cinco serão construídas pela Loga e com capacidade para separar até 20 toneladas por dia. "A primeira deve ser inaugurada ainda neste ano, em Perus, zona norte. As demais serão na Vila Maria. Todas serão equipadas e terão nossa manutenção por três anos", diz o presidente da Loga, Luiz Gonzaga.
Gonzaga e Domingues reconhecem que é preciso melhorar o serviço, mas passam as falhas para a ponta do processo - as cooperativas, consideradas amadoras e ineficientes. /A.F.

OESP, 27/02/2012, Metrópole, p. C5

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