OESP, Política, p. A8
15 de Jun de 2016
STF abre inquérito contra peemedebistas no caso Belo Monte
Renan, Jucá, Jader e Raupp serão investigados por suposto recebimento de propina na construção de usina no Pará
Isadora Peron e Gustavo Aguiar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin mandou abrir inquérito para investigar se integrantes da cúpula do PMDB no Senado receberam propina na construção da Usina de Belo Monte, no Pará. O novo procedimento tem como alvo o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (RR), e os senadores Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA).
O caso tramita sob segredo de Justiça e tem como base a delação do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) na Lava Jato. O esquema só foi descoberto com o avanço das investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobrás. O delator Luiz Carlos Martins, ligado a construtora Camargo Corrêa, também fez relatos sobre o funcionamento da rede de corrupção em Belo Monte.
De acordo com Delcídio, as negociações para a construção da usina envolveram o pagamento de pelo menos R$ 45 milhões de propina ao PT e ao PMDB. Delcídio disse que, no âmbito do PMDB, o dinheiro era repartido entre Renan, Jucá, Raupp e Jader, além de Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia, um dos responsáveis por fazer a distribuição da propina no partido.
Já Luiz Carlos Martins narra a "ocorrência sistêmica" do pagamento de propinas a agentes políticos facilitadores da construção da usina. O delator afirma ter sido cobrado a pagar propina para o PMDB, e diz que fez contratações simuladas e usou notas frias para desviar dinheiro para a legenda.
O caso de Belo Monte também está sendo investigado pelo juiz Sérgio Moro, na 13.ª Vara Federal de Curitiba, como um braço da Lava Jato. A primeira instância apura o envolvimento de Rondeau e de outros dois ex-ministros de governos do PT, Erenice Guerra (Casa Civil) e Antonio Palloci (Fazenda). O trio, que não tem mais foro privilegiado, é apontado como articulador do esquema.
Lava Jato. Renan, Jucá, Raupp e Jader também são investigados na Lava Jato. Jader acumula três procedimentos por suspeita de envolvimento no esquema da Petrobrás, e Raupp, dois. Do grupo, o presidente do Senado é o recordista de procedimentos no STF, com 12 inquéritos no total, nove dos quais sobre sua participação nos crimes investigados pela Lava Jato.
Há ainda um pedido, sob análise do ministro Fachin, para que ele seja incluído em uma investigação já aberta contra o senador Edson Lobão (PMDBMA), também sobre o caso de Belo Monte. Renan também foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) no caso Mônica Veloso, em que ele é acusado de cometer os crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Jucá, além da investigação na Lava Jato e do inquérito sobre Belo Monte, acumula mais quatro inquéritos. Ele aparece inclusive ao lado de Renan em um processo da Operação Zelotes, por indícios de que ambos negociaram no Senado pagamentos de R$ 45 milhões com lobistas, em troca de aprovar emenda parlamentar de interesse de montadoras de veículos.
'Delírios'. Em nota, Renan reiterou que não recebeu vantagens de quem quer que seja e chamou de "ilações" e "delírios" os relatos de Delcídio. Jucá diz que a delação do ex-senador não aponta nenhum fato concreto e não fala em que circunstância teria ocorrido qualquer irregularidade. Já Raupp diz que jamais exerceu qualquer influência no setor elétrico. A defesa de Jader disse que não iria se manifestar, pois não tinha conhecimento sobre o novo inquérito. As defesas dos ex-ministros Rondeau, Erenice e Palocci não foram localizadas ontem pela reportagem.
OESP, 15/06/2016, Política, p. A8
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