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Stephanes prevê novo choque de preços

OESP, Economia, p. B15
Autor: STEPHANES, Reinhold
11 de Jun de 2008

Stephanes prevê novo choque de preços
Reinhold Stephanes: ministro da Agricultura; para o ministro, só uma política de aumento da produção poderá atenuar a onda inflacionária, que poderá voltar em 2010

Fabíola Salvador, Adriana Fernandes e Beatriz Abreu

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que o preço dos alimentos não deve baixar no curto prazo e previu que, a partir de 2010, um novo choque de preços poderá penalizar mais a economia mundial. Somente uma política de aumento de produção, disse, pode atenuar uma nova onda inflacionária. Em entrevista ao Estado, o ministro defendeu a mudança de regras para obrigar que as empresas que hoje atuam no setor de adubos e fertilizantes ampliem a oferta e reduzam a dependência externa do País. Ele revelou que o governo poderá até permitir que a Petrobrás se associe a outras empresas para garantir a auto-suficiência.

Como evitar o aumento de preços dos alimentos?

Não há muito o que fazer porque há uma mudança no mundo. Antes, era oferta. Agora é demanda. Em 2009, tudo indica que os preços se manterão no nível atual.Mas é difícil prever o que vai acontecer a partir de 2010 e 2011.

Há risco de nova alta de preços?

Pelos indicadores de aumento da demanda mundial, é possível um novo choque de preços a partir de 2010.

Qual foi o impacto desse choque atual?

Em 24 meses, o aumento médio dos produtos agrícolas foi de 70% em termos reais.

Como reduzir esses preços?

A única maneira é produzir mais.

Para isso é necessário crédito e infra-estrutura.

Estamos negociando R$ 70 bilhões para o plano de safra de 2008/2009. Um aumento de R$ 12 bilhões em relação aos R$ 58 bilhões da safra passada. Além disso, vamos estimular a recuperação de áreas degradadas, que estão principalmente nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Vamos incentivar a recuperação liberando R$ 1 bilhão.

Qual o benefício de recuperar essas áreas?

Evitar derrubar árvores em novas áreas é uma das diretrizes do governo e utilizar melhor as já existentes.

A cana seria plantada nessas áreas?

A cana é uma forma de recuperar áreas degradadas.

Não haveria um avanço para áreas novas?

Não. Não há nenhuma vantagem econômica em derrubar a mata para produzir boi. Isso não dá emprego.

Como fiscalizar, ministro?

Quem estiver derrubando área ilegal, aplica-se a lei. Quem tiver derrubando os 20% que tem direito, tudo bem.

Mas os dados do INPE mostram aumento do desmatamento.

Já que o INPE fala que tem os dados corretos, a grande pergunta que eu faço é por que não desce lá na região e embarga a área.

É tarefa do INPE?

É função do Meio Ambiente.

Por que isso não acontece?

Essa é um pergunta que se tem que feita para o outro lado. O que eu não acho correto (se dirige a parede onde há um mapa do Brasil) é que quando a algo acontece nesses 36 municípios aqui em cima, se embargue a área até Diamantino, que fica a 1000 quilômetros de distância de onde aconteceram os problemas.

O ministério está na linha ecológica?

É a primeira vez que o ministro da agricultura vai a público e diz: nós podemos aumentar a agricultura sem derrubar nenhuma árvore do bioma amazônico. Não estou dizendo Amazônia Legal, porque 70% dela é cerrado.

Como atacar problemas de infra-estrutura?

Há questões estratégicas. Temos de reduzir o custo de produção, investir em tecnologia. Nesse ponto, o PAC tem de andar mais rápido. Temos de enfrentar as questões de licença ambiental. Há casos de cinco anos para asfaltar uma estrada já aberta. Há também a questão dos adubos, que correspondem a 40% da produção.

O aumento dos adubos e fertilizantes pode inviabilizar esse projeto?

Não. Há a decisão política de que o País se torne auto-suficiente em pelo menos dois dos três princípios ativos: nitrogenados e fósforos. Precisamos também diminuir a dependência externa do potássio.

Como?

Fazendo com que os que detêm as reservas explorem essas reservas. Temos jazidas suficientes de fósforo, mas importamos 60% do produto a um custo elevadíssimo. Precisamos adotar uma política agressiva para que os detentores das minas as explorem.

Quais são os grupos?

No Brasil são três grandes empresas que dominam o mercado. Uma delas pediu um antidumping para importação da Rússia e da Ucrânia e isso vem acontecendo há cinco anos. Eu quis derrubar, mas as empresas recorreram dizendo que o Brasil vem diminuindo sua produção. Ora, se demos a proteção de antidumping é muita cara de pau pedir mais prazo.

A Petrobrás pode voltar a esse mercado?

Isso pode ser fundamental. Não precisa entrar sozinha, mas associada.

O governo faz à revelia das empresas?

Não. Propus para a Bunge uma agenda positiva. As empresas devem entender que o Brasil precisa produzir.

Força-tarefa vai avaliar mercado de commodities

Dow Jones Newswires

A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) anunciou ontem a criação de uma força-tarefa entre várias agências para avaliar os desdobramentos no mercado de commodities. A força-tarefa terá representantes da própria CFTC, do Federal Reserve e dos departamentos do Tesouro, de Energia e de Agricultura. Em comunicado, a CTFC diz que vai examinar práticas de investidores, fatores de demanda e fornecimento e o papel dos especuladores no mercado de commodities.

'Os elevados preços das commodities representam pressão significativa sobre as famílias americanas. A força-tarefa ajudará no entendimento público e regulatório das forças que afetam o funcionamento desses mercados.' A força-tarefa pretende concluir a avaliação o mais rápido possível.

OESP, 11/06/2008, Economia, p. B15

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