OESP, Economia, p. B18
22 de Fev de 2014
State Grid quer 2o lote da usina de Belo Monte
Chineses têm interesse em disputar próxima concessão para obter ganhos de sinergia
Wellington Bahnemann / RIO
A gigante chinesa State Grid deu mais um passo para cumprir o ambicioso plano de investir R$ 10 bilhões no Brasil até 2015. Há duas semanas, a estatal ganhou em parceria como grupo Eletrobrás a concessão da primeira linha do sistema de transmissão da hidrelétrica Belo Monte (PA), cujo investimento é estimado em R$ 4,5 bilhões. "Esse é um projeto estratégico para nós", afirmou o presidente da State Grid no Brasil, Cai Hongxian.
A primeira linha de transmissão de Belo Monte, que vai de Xingu (PA) até Estreito (MG), é o primeiro projeto de "ultra-alta-tensão" que a empresa construirá fora da China - tecnologia desenvolvida pela State Grid em parceria com os grandes fabricantes de equipamentos. "Essa foi uma tecnologia proposta por nós, e todas as especificações e padrões técnicos foram estabelecidos pela companhia. Estamos trazendo essa experiência para o mercado brasileiro", argumentou.
Assim como o Brasil, a China enfrenta o desafio de trazer grandes blocos de energia de pontos distantes dos principais centros de consumo. Hongxian não esconde que a inspiração para o desenvolvimento da tecnologia veio do Brasil, mais especificamente do sistema de transmissão de Itaipu. A hidrelétrica binacional conta hoje com uma linha de transmissão de 765kV de tensão,a mais elevada em operação no País. "Os engenheiros chineses aprenderam muito com a experiência de Itaipu", disse.
A State Grid é líder global na tecnologia de ultra-alta-tensão, cujo nível de tensão é superior a 800 kV. Atualmente, a companhia já opera três projetos com essa tecnologia e novos empreendimentos estão em fase de construção. "Uma das nossas linhas de transmissão, por exemplo, é capaz de transmitir 8 mil MW de energia, o dobro da capacidade desse projeto de Belo Monte", disse. A grande vantagem da ultra-alta-tensão é escoar grandes volumes por longas distâncias com baixo nível de perdas técnicas.
O projeto de Belo Monte também é estratégico porque torna o consórcio State Grid/Eletrobrás o favorito para vencer a segunda linha que compõe o sistema de transmissão da usina. Esse segundo projeto consiste também em uma linha de 800 kV, partindo de Xingu até Nova Iguaçu (RJ). "Também temos interesse nesse empreendimento", comentou. A expectativa do governo é licitar essa linha até o fim do ano.
Porém, antes de se preocupar com o leilão da segunda linha, a State Grid pretende fazer a lição de casa e deixar a construção do primeiro projeto encaminhada. Se as questões técnicas não são vistas como um problema, o prazo de construção é um motivo de forte preocupação do consórcio. Ciente dos problemas enfrentados pela Eletrobrás nos projetos de transmissão do Rio Madeira, Hongxian espera rapidez do Ibama no processo de licenciamento ambiental para evitar atrasos no cronograma das obras.
Prazos.
Pela experiência nos projetos da China, o executivo explicou que o prazo de 46 meses para a execução das obras é mais do que suficiente, mas o receio da estatal chinesa é de que a demora na obtenção das licenças ambientais faça o consórcio perder a "janela hidrológica", período em que as chuvas mais fracas permitem a execução das obras.
"Temos de obter a licença de instalação até agosto de 2015", afirmou o executivo. Pelo contrato de concessão, o empreendimento tem de entrar em operação no início de 2018.
Sem entrar em detalhes, Hongxian assegurou que o projeto de Belo Monte tem uma taxa de retorno "razoável". Ele deixou claro que a primeira linha não deve ser vista de forma isolada do sistema de transmissão de Belo Monte como um todo. Se o leilão da segunda linha ocorrer ainda este ano e se consórcio for o vencedor da disputa, a implementação dos dois empreendimentos quase que simultaneamente traria ganhos de escala e redução de custos global, melhorando a taxa de retorno dos projetos. "Isso seria excelente, porque teríamos significativos ganhos de sinergias."
No que diz respeito aos equipamentos, Hongxian afirmou que a prioridade é a encomenda aos fabricantes brasileiros. Além de Siemens, ABB e Alstom, o executivo afirmou que alguns fornecedores chineses dominam a tecnologia ultra-alta-tensão. "Só vamos importar o que não for produzido no Brasil."
OESP, 22/02/2014, Economia, p. B18
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