OESP, Metrópole, p. C8
26 de Mai de 2007
SP tem alternativa para bairros-cota
60% da população das encostas pode ir para bairro planejado
Sérgio Durán
A Secretaria Estadual da Habitação comprou um terreno de 150 mil m² no Jardim Casqueiro, em Cubatão, na Baixa Santista, para abrigar até 60% da população que ocupa mangues e encostas de morros às margens da Rodovia Anchieta. Após congelar os bairros-cota - chamados assim por ocupar cotas (medida de altura em relação ao nível do mar) do Parque Estadual da Serra do Mar, locais que são proibidos para ocupações -, o governo começa na segunda-feira o cadastramento da população.
Estima-se que cerca de 14 mil famílias morem nos bairros-cota. A maioria dos núcleos data da época em que a Anchieta começou a ser construída, há 70 anos.
Segundo o secretário estadual de Habitação, Lair Krähenbühl, o mapeamento dos bairros-cota irá além da simples contagem populacional. "Haverá estudo socioeconômico, para saber das condições daquelas pessoas, de quem é proprietário ou de quem paga aluguel, da família, das condições da moradia, se está em área de risco ou não e por aí vai", diz.
O motorista Severino Ferreira da Silva, de 54 anos, 29 deles morando no bairro-cota 200, afirma que a ação do governo tem dividido opiniões nas ocupações da serra. "Há os que acham bom, porque também não conseguiram construir nada, e há aqueles que colocaram as economias da vida inteira numa casa, que está pintada, acabada. E agora tem de ir para um apartamento do governo, começar do zero - e pagando prestação", diz.
O secretário afirma que a ordem é reduzir o adensamento populacional nos bairros-cota, permitindo que morem nessas áreas poucas pessoas. "Com quem mora em área de risco, seremos bastante intransigentes. Por outro lado, é possível usar essa população em preservação", diz Krähenbühl. Segundo ele, os futuros condomínios da CDHU no Casqueiro poderão ter até centro comercial.
OESP, 26/05/2007, Metrópole, p. C8
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