OESP, Metrópole, p. A26
11 de Mai de 2013
SP estreia medição com ar bom em 7 das 14 estações
No primeiro dia da nova classificação com padrões mais rígidos, só um ponto teve situação ruim; ar seco, porém, trouxe desconforto
GIOVANA GIRARDI, MÔNICA REOLOM
Com padrões mais rígidos de concentração de poluentes que a anterior, a nova classificação da qualidade do ar do Estado de São Paulo começou a ser informada ontem para a população. Mas, ao contrário do que se imaginava, foi registrado apenas um ponto com qualidade ruim, em Cubatão, no litoral. Das 46 estações meteorológicas, 22 apresentaram situação boa e 23, moderada. Na capital, o cenário foi parecido: em 7 estava boa e 7, moderada.
Apesar de os novos padrões serem mais restritivos - ao mudarem a concentração das substâncias a partir da qual se considera que elas podem afetar a saúde - e de a capital não registrar uma chuva forte desde o dia 14, as condições do ar ontem estavam favoráveis à dispersão dos poluentes.
Decreto do governador de 24 de abril definiu os novos padrões, mas foram necessárias algumas semanas para a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) atualizar os sistemas para analisar a qualidade do ar segundo os novos parâmetros. Via de regra, o que antes era bom agora pode não ser.
É o que foi observado na estação de Cubatão, conforme explica Maria Helena Martins, gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb. Pelos padrões antigos, a condição de ontem seria considerada regular no local, em vez de ruim, segundo os novos parâmetros.
Na capital, essa mudança também foi observada em pelo menos duas estações, na de Congonhas e na Ipen/USP. Em ambas, a qualidade do ar seria considerada boa pelos antigos critérios e agora passou a moderada.
Maria Helena explica que é difícil comparar todos os pontos com os padrões antigos porque não só mudou a forma de classificar os poluentes como também a maneira de calculá-los.
Agora, por exemplo, entra nos cálculos da qualidade do ar a concentração do material particulado ultrafino (MP2,5). Isso era uma recomendação da Organização Mundial da Saúde, porque a substância é bastante danosa à saúde, uma vez que penetra diretamente nos pulmões.
Além de mudar a forma de classificar a qualidade do ar, entraram em vigor também metas de quanto o Estado deve ter de concentração desses poluentes (MP 10, MP 2,5, ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre).
Para ambientalistas ouvidos pela reportagem, o que falta agora é definir prazos para que eles sejam alcançados.
"O novo padrão é só um indicativo, mas ele não serve de controle. Só ele não resolve o problema da poluição", comenta Kamyla Borges Cunha, responsável pela área de Direito Ambiental do Instituto de Energia e Meio Ambiente, que acompanha a poluição do ar no Estado.
Secura. Se a qualidade do ar ontem não estava tão ruim na capital, o que diminuiu o conforto do paulistano durante o dia foi a sensação de secura.
De acordo com informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a umidade relativa do ar ficou em torno de 38% e a estimativa é de que o quadro pode piorar entre hoje e amanhã, podendo ficar entre 20% e 30%.
Abaixo de 30%, já é decretado estado de atenção, uma vez que essa situação traz riscos à saúde, como complicações alérgicas e respiratórias, sangramento do nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos. Também aumenta o potencial de incêndio em pastagens.
Nos próximos dias, a baixa umidade do ar deve piorar e se estender por períodos mais longos do dia por causa da falta de chuva. A previsão é de que chova apenas no final da próxima semana.
CO2 ultrapassa marca perigosa
A concentração média de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera ultrapassou a marca de 400 partes por milhão (ppm), um limite emblemático do fracasso dos esforços globais de controlar as emissões deste que é o principal gás relacionado ao aquecimento global.
O anúncio foi feito ontem pela NOAA, a agência de ciências oceânicas e atmosféricas dos Estados Unidos, que monitora a concentração desde 1958, de um observatório na ilha do Vulcão Mauna Loa, no Havaí, a 3,4 mil metros de altitude. Na quinta-feira, a concentração média diária registrada ultrapassou 400 ppm pela primeira vez.
Antes da Revolução Industrial, a concentração era de 280 ppm. Depois disso, esse número tem aumentado a uma taxa cem vezes maior do que no fim da última Era Glacial.
Segundo os cientistas, não há dúvida de que o aumento é causado por emissões de atividades humanas. A meta da ONU é impedir que a concentração passe de 450 ppm, considerado o limite de segurança para evitar mudanças climáticas mais catastróficas. / HERTON ESCOBAR
Preste atenção...
1.Tome bastante água e não espere sentir sede. Crianças e idosos devem receber atenção especial.
2.Umidifique os cômodos da casa com um aparelho portátil. Toalhas molhadas e bacias com água também ajudam, assim como o vapor
do banho.
3.Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre 12 e 16 horas, período do dia que é considerado omais crítico.
4.Ambientes fechados e aglomerados devem ser evitados, pois o organismo fica mais propício a infecções quando há baixa umidade do ar.
5.Por causa do risco de infecções, lave as mãos com frequência durante todo o dia e não as coloque no nariz nem na boca.
OESP, 11/05/2013, Metrópole, p. A26
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