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Software de educação infantil indígena é produzido pela primeira vez
no país

http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=53935
12 de jan de 2009

Uma iniciativa inédita no Brasil foi lançada oficialmente neste sábado, na comunidade indígena de Canauanim, município de Cantá. Trata-se de um software educacional para séries iniciais de escolas indígenas, batizado de Nativo Digital, que foi idealizado por um grupo de ex-acadêmicos do curso de Sistema da Informação da Faculdade Atual da Amazônia, com a idéia de contribuir para o processo de ensino-aprendizagem e inclusão digital de crianças e adolescentes.

Toda a composição do programa contou com a participação de professores e alunos da comunidade de Caunanin, que escreveram e traduziram histórias indígenas, produziram jogos e fizeram toda a ilustração do programa. Um dos integrantes do grupo, e que hoje é também colaborador da Atual, Franco Soares, explicou que o projeto abordou a hipermídia aplicada à educação, levando em consideração a temática indígena no Brasil. O resultado, considerado inovador no meio tecnológico, é o fato do Nativo Digital ser todo traduzido para língua wapichana, e ainda preservar costumes, lendas e toda a cultura indígena como um todo.

O processo de criação foi minucioso e passou pela execução de pesquisas, entrevistas e produção, que levou o grupo formado por quatro integrantes a viajar constantemente para a comunidade e após a apresentação do trabalho, em 2007, a Atual propôs aos criadores do software a implantação efetiva do projeto educacional na comunidade.

O diretor acadêmico da Atual, Adriano Remor, disse que devido o grande alcance social da iniciativa, sugeriu que o programa fosse transformado em produto e resolveu investir no projeto. "Tivemos a adesão imediata do Governo do Estado, por meio da secretaria de Educação, e hoje a parceria resultou na implantação do projeto", salientou.

Ele destacou que o Nativo Digital deverá ser levado para outras comunidades ainda esse ano e que haverá todo um suporte pedagógico e de manutenção para garantir que os resultados do software alcancem seus objetivos iniciais. "Vamos visitar 38 comunidades indígenas no decorrer desse ano, e dessas pelo menos 30 já possuem computadores provenientes do programa federal Proinfo, o que vai facilitar a implantação do projeto", ressaltou.

O tuxaua de Canauanim, Ivônio da Silva Souza, disse que a comunidade vem buscando parcerias com instituições públicas e privadas e que a idéia da Atual em produzir o software veio em boa hora. "Não conheço e nunca ouvi falar de um programa com essa característica do Nativo Digital, que além de cuidar da questão da preservação da língua materna ainda estimula a manutenção de nossos costumes e com certeza deve ser implantado também em outras comunidades", frisou.

Para ele o programa incentiva o ensino de crianças e adolescentes que se sentiram, durante o tempo em que o protótipo foi testado na comunidade, mais atraídos pelas aulas de matemática, línguas e artes, por exemplo.

CENÁRIO - o software é composto por um cenário que traz desenhos produzidos por alunos da unidade escolar Tuxaua Luiz Cadete, abordando a contextualização do aprendizado, gerando expectativa positiva por parte de alunos, professores e lideranças da comunidade, que participaram ativamente da elaboração do produto. São quatro sessões: caçar, pescar, brincar e contar, e mais de dez atividades para serem utilizadas como ferramentas de aprendizagem pelos docentes.

Outra característica importante, o bilingüismo, foi possível graças à tradução de professores indígenas da comunidade. Ao passar o mouse em cima das palavras de comando ou dos textos que retratam lendas indígenas, os mesmos podem ser lidos na língua wapichana.

"Essas crianças vão poder montar quebra-cabeças, colorir desenhos feitos por eles mesmos, e brincar com jogos educacionais com alto índice de aprovação por educadores locais", comentou.

AGRADECIMENTOS - Uma defumação chamada de Maruai, deu início a um ritual indígena de agradecimento. O vice-diretor do Centro Regional da Serra da Lua, Rivaldo Cadete, explicou que Maruai foi um grande pajé e que quando os indígenas o invocam querem que os espíritos dos presentes sejam fortalecidos.

"Quando pessoas não indígenas chegam à comunidade fazemos isso para que não tragam ou levem para suas casas maus espíritos", esclareceu.

Dois grupos indígenas, um wapichana e outro macuxi, dançaram o parichara, uma dança que expressa o agradecimento da comunidade pela presença dos visitantes.

Por fim, os líderes da comunidade serviram uma damorida, que em indígena significa caldo apimentado, para simbolizar a confraternização entre todos os presentes.

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