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Sodiurr condiciona presença ao apoio do Governo Federal

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
04 de Ago de 2005

A Sodiurr (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima) recebeu esta semana o convite para comemorar, junto com o CIR, a homologação da reserva Raposa/Serra do Sol, em abril deste ano. Principal organização indígena na defesa da demarcação em ilhas, as lideranças da entidade condicionaram sua participação ao atendimento de suas reivindicações pelo Governo Federal.
O presidente da Sodiurr, José Novaes, explicou que após a homologação fez vários pedidos à Funai (Fundação Nacional do Índio), entre eles a doação de 25 mil reses de gado bovino para as 53 comunidades indígenas ligadas à entidade e a aquisição de três ônibus e dois caminhões, para o transporte compartilhado de todos os habitantes da reserva.
"O presidente da Funai, Mércio Gomes, mostrou receptividade ao nosso pleito e vamos aguardar. Se formos atendidos, poderemos sim participar da festa do CIR", afirmou. Por outro lado, destacou que caso o governo ignore os pedidos da entidade, seus membros poderão não só recusar o convite como retaliar a comemoração, apesar da aproximação que vem sendo mantida com o CIR desde o dia 15 de abril.
"Nós abrimos o caminho do diálogo e, pela primeira vez, estamos sentindo a possibilidade de apoio da Funai, mas esperamos uma reação positiva da Funai, porque o governo fez uma homologação contrária à vontade da maioria dos índios da Raposa/Serra do Sol", afirmou.
A expectativa é que o Governo Federal libere os recursos financeiros para aquisição das reses antes da data prevista para o início das festas. Caso o presidente Lula realmente compareça ao evento, Novaes disse que as organizações vão aproveitar a oportunidade para apresentar-lhe um resumo com a reivindicação dos projetos que consideram necessários para a reserva.
Para o presidente, não há motivo para comemorações. "A decisão do governo não atendeu plenamente a nenhuma entidade", declarou, referindo-se ao fato de que o CIR defendia, por exemplo, a extinção do município de Uiramutã, que foi mantido pelo decreto do presidente Lula.
Na opinião dele, o momento atual requer uma reflexão sobre qual modelo de desenvolvimento será implantado nas aldeias para garantir sua auto-sustentabilidade e qualidade de vida para os indígenas.
"É nisso que nós estamos trabalhando. No mês passado apresentamos vários requerimentos em Brasília e estaremos de volta na próxima semana, para levar outros projetos importantes para o desenvolvimento das comunidades indígenas", ressaltou.

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