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Sodiur: 'Mutirão vai gerar mais conflito'

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
15 de Dez de 2004

O presidente daSociedade de Defesa dos Índios de Roraima (Sodiur), Silvestre Leocádio, declarou na tarde de ontem que caso a Diocese mantenha a convocação de realizar um mutirão para a construção das casas destruídas na área Raposa/Serra do Sol, outros conflitos entre as comunidades poderão ocorrer.
Leocádio afirmou que a contrariedade à construção das casas é devido ao acordo feito com a Polícia Federal de que não haveria mais nenhum tipo de atrito até que saísse a homologação e tudo permaneceria como estava.
"Agora a Diocese está convocando a sociedade para levantar as casas. Eu só quero avisar as autoridades que poderão acontecer coisas piores naquela área. Eu só sei que a Justiça vai ter que tomar providências seja ela federal, estadual, ou quem quer que seja", disse.
Para Silvestre Leocádio, a iniciativa da Igreja Católica cai como lenha na fogueira para acirrar ainda mais os ânimos das comunidades indígenas que vivem na região. "Eles [padres] podem cuidar da gente sim, mas espiritualmente. Desta forma só estão colocando as pessoas para se confrontar", criticou.
Conforme o presidente da Sodiur, a grande polêmica em torno das casas que foram construídas na região é que foram construídas este ano "como forma de afrontar os índios que são contra a demarcação em área única da Raposa/ Serra do Sol".
"Até janeiro não havia casa no local e de repente eles disseram que havia uma comunidade. Eu não vou dizer nada, apenas que é muito triste e com certeza a situação vai ficar pior do que a outra vez. Eu só estou avisando para ninguém dizer que a Sodiur não se manifestou. O pior disso tudo é que quem vai pagar por tudo isso é o próprio índio".
"A única coisa que queremos é que as autoridades tomem uma providência para acabar com isso, para depois não dizer que não avisamos", acrescentou.
CARTA - Na tarde de ontem, a Aliança para o Desenvolvimento das comunidades Indígena de Roraima (Alidcir), Associação regional Indígena dos Rios Kinô, Cotingo e Monte Roraima (Arikon), Conselho Indígena do Povo Ingaricó (Coping), a Associação Municipal Indígena de Boa Vista e Sodiur encaminharam uma carta-aberta à imprensa em resposta à convocação da Diocese de Roraima para a reconstrução das casas que foram destruídas na região do Município de Normandia.
A carta classifica a convocação como provocação aos indígenas contrários à homologação contínua da reserva. Afirma ainda que, como a questão está sub judice, levantar estas construções no local é promover inovação ilegal. "Da mesma forma que arregimentar pessoas para a prática de crime, é conduta penal típica que merece ser coibida pelas autoridades policiais".
"Eles disseram que tivemos apoio de arrozeiros para transportar os parentes para a barreira que instalamos no Contão, e agora a Diocese providencia até ônibus para levar o povo para a área. Vamos ver o que vai acontecer, estou avisando", frisou.(T.B.)

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