Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
06 de Jul de 2004
O presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), tuxaua Silvestre Leocádio, disse ontem que os ânimos nas regiões de conflito, não foram acalmados. Afirmou que as negociações somente aconteceram devido à presença das polícias Federal, Militar e Civil no local.
"Nos tínhamos 400 índios lá, mas sabíamos que não devíamos brigar com os parentes, por isso resolvemos pegar os dois funcionários da Funai para negociar por nós. Quando eles [índios ligados ao CIR] resolveram levar o Quartiero e o Anísio, resolvemos chamar a polícia para interferir. Silvestre afirmou que não existe influência de arrozeiros nas opiniões dos índios ligados à Sodiur para que eles sejam favoráveis a demarcação em ilhas.
"Se não firmamos parcerias com os políticos e empresários, não vamos chegar a lugar algum. A tutela da Funai somente trouxe atraso para as regiões de reserva" disse.
Acusou um funcionário da Funai de estar conduzindo os índios ligados ao CIR para a região nos três dias de discussões naquela área. Afirmou também que a vinda de Mércio Gomes não vai influenciar em nada nas discussões e posicionamentos em torno da homologação da reserva Raposa/Serra do Sol.
Para ele, a estada de dois dias do presidente da Funai no Estado não trará resultados, uma vez que ainda não foi decidido nada definitivo sobre a forma de demarcação. O presidente da Arikon, tuxaua Gilberto Macuxi, não quis se manifestar quanto a vinda do presidente ou a atual situação das comunidades de divergem de opiniões.
CIR - O presidente do Conselho Indígena de Roraima (CIR) Jacir de Souza, disse que por parte dos índios ligados CIR não existe nenhuma manifestação que não seja pacífica nas áreas de pretensão. Ele acredita que a vinda de Mércio Pereira, dependendo da forma de negociação, trará bons resultados, desde que os arrozeiros aceitem as propostas.
Quanto à cerca que limita a fazenda do empresário Paulo Cezar Quartiero, destruída na noite do dia 3 de julho, Jacir disse desconhecer qualquer atitude dos índios ligados ao CIR que tenha resultado nisto.
"Nossas atitudes são pacíficas. Não temos nenhuma intenção de guerrear com nossos irmãos, apenas queremos o que é nosso", afirmou, acrescentando que os índios estão construindo malocas em redor da fazenda de Quartiero na tentativa de impedir que o rizicultor amplie sua área de cultivo. "Estamos construindo nossas casas lá para que a área dele não cresça mais. Se não fizermos isso, ele vai expandir a plantação de arroz", complementou.
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