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Sodiur afirma ter nomes de suspeitos

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
12 de Fev de 2004

O líder indígena e representante da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), Silvestre Leocádio, informou ontem que já está de posse de uma lista com nomes dos suspeitos de terem ateado fogo no Canta Galo.

Mesmo sem citar nomes, Silvestre Leocádio disse que está tomando as providências para que os acusados paguem pelo que fizeram. "Embora eu saiba que agem por influência dos estrangeiros, porque já fui presidente do CIR e sei como as coisas são feitas por lá", afirmou.

Leocádio informou que o dono dos locais incendiados, conhecido por Narciso, estava trabalhando, por isso não sabe como aconteceu e quem ateou fogo nas casas.

"Eles aproveitaram o momento em que o dono não estava em casa e tocaram fogo", disse. "Ainda bem que ninguém saiu ferido". Mesmo sem ter certeza dos autores do incêndio, Silvestre disse que foi informado por telefone, pelo tuxaua do Contão, Genival Silva, que os ânimos na região estão acirrados e que uma possível briga entre índios está prestes a acontecer.

"Lá no Canta Galo eles são do CIR e, como a reunião deles está para terminar, eles ficam provocando para ver se alguém reage e cria um atrito", declarou. "Eles querem achar um meio para que os índios da Sodiur revidem para parecer que somos agressivos. Mas nosso povo não quer isso".

De acordo com Silvestre, essa não é a primeira vez que índios ligados ao CIR agem dessa forma na região. "Toda vez que eles se reúnem no Maturuca saem fazendo baderna, queimando pontes e invadindo fazendas. Dessa vez eles queimaram casas", acusou.

Silvestre disse que ficou surpreso quando recebeu telefonema da Polícia Federal sobre supostos presos na barreira montada pelos índios na região. "Ele pedia para que entrasse em contato com o tuxaua do Contão, porque havia recebido informações de que havia pessoas presas. Eu disse que era mentira, não prendemos ninguém na barreira", afirmou.

Para Silvestre isso foi mais uma forma do CIR plantar mentiras sobre os índios contra a demarcação. "O pessoal ligado ao CIR gosta de distorcer as coisas e inventou isso", afirmou. O líder voltou a criticar as ações de estrangeiros na área, o que, para ele, é uma afronta aos direitos do povo brasileiro.

"Os estrangeiros ficam insuflando índios contra índios, por isso peço que as autoridades tomem providências antes que haja derramamento de sangue e, volto a repetir, nós não queremos isso", afirmou.

Para ele, o incêndio foi em represália à prisão dos estrangeiros. "Nós já dissemos por diversas vezes que Maturuca é um quartel de estrangeiros e agora nós provamos isso", frisou Silvestre.

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