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Socorro as Marginais

OESP, Notas e Informacoes, p.A2
13 de Jun de 2005

Socorro às Marginais

As vias Marginais do Pinheiros e do Tietê não podiam ter nome mais apropriado. Além de estar nas margens dos dois principais rios da cidade, esses corredores sempre estiveram à margem do planejamento rodoviário estratégico brasileiro, apesar de figurar como um dos principais vetores de tráfego seja para ligar os quatro cantos da metrópole, seja para interligar as principais conexões rodoviárias com regiões de grande importância econômica do Estado e do País. Diariamente, mais de 1,1, milhão de veículos chegam a São Paulo por dez rodovias. Desses, 330 mil usam as Marginais do Pinheiros e do Tietê apenas como rota de passagem, sobrecarregando o trânsito local. E 80 mil são caminhões. Os dois corredores estão entre os mais importantes da malha rodoviária brasileira, mas, apesar disso, os investimentos na sua manutenção e administração têm sido deixados sob a responsabilidade exclusiva da Prefeitura que, com insuperável penúria de recursos, foi incapaz de realizar qualquer obra de efetiva melhoria nos últimos 15 anos.
A Prefeitura mantém uma coordenadoria, na Secretaria das Subprefeituras, para cuidar da poda do mato, da substituição de gradis e dos serviços de tapa-buracos dos 45 quilômetros desses corredores, que têm o seu traçado distante apenas entre quatro e seis quilômetros do centro da cidade. Instala radares de controle de velocidade, fecha acessos entre as pistas locais e expressas e tenta manter a sinalização. Faz apenas a administração operacional das Marginais.

As vias onde desemboca o tráfego de tantas rodovias deveriam merecer acompanhamento integral, em primeiro lugar, da região metropolitana e do Estado, em segundo, da própria União. Afinal, esse pequeno trecho encarece sobremaneira o transporte nacional de carga. Esburacadas, mal projetadas e saturadas, as marginais se transformaram em rota de risco. Os acidentes são freqüentes, muitos caminhões quebram ali por conta dos buracos, piorando os congestionamentos, e nos baixos vãos das pontes cargas são danificadas.

Prefeitura, governo estadual e União precisam firmar um novo modelo de gestão para as Marginais. Elas não são de interesse exclusivo da cidade de São Paulo e o agravamento dos seus problemas estruturais e a falta de planejamento produzirão prejuízos cada vez maiores para o desenvolvimento nacional e do próprio Mercosul.

Há semanas, o governador Geraldo Alckmin praticamente enterrou as expectativas do prefeito José Serra de realizar pelo menos as obras de recuperação do asfalto nas Marginais do Pinheiros e do Tietê, que custariam R$ 250 milhões. É um quarto do investimento necessário para fazer uma interferência efetivamente ampla em que os gargalos de trânsito fossem resolvidos, as pontes, refeitas, e o número de faixas, ampliado. Uma interferência resultante, enfim, de um esperado planejamento rodoviário estratégico.

Alckmin, no entanto, negou auxílio. Assim como tem feito o governo federal que, desde 2003, estuda um pedido de repasse de R$ 100 milhões feito pela Prefeitura de São Paulo para a recuperação do pavimento das Marginais e correções de desníveis no asfalto de alguns pontos dos corredores. É certo que as duas esferas de governo, estadual e federal, investirão na construção do Trecho Sul do Rodoanel, uma obra de R$ 2,5 bilhões, que deverá deverá estar concluída em 2010. Há quem estime que, junto com o ramo Oeste, já concluído, o Trecho Sul possa retirar até 40% do tráfego pesado das Marginais. Para outros, esse porcentual não passará de 20%. É exatamente a mesma estimativa que se fazia quando o Trecho Oeste começou a ser construído, há sete anos. Hoje, o trecho que une as rodovias Anhangüera, Bandeirantes, Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt já apresenta saturação nos horários de pico em vários pontos e as Marginais, apesar dele, mantiveram seus intermináveis congestionamentos.

O Rodoanel não é a solução definitiva para as Marginais, mas um novo corredor feito para compor essa malha rodoviária da região metropolitana de São Paulo. Os dois sistemas são importantes e merecem fazer parte de um mesmo planejamento estratégico. Para o bem do desenvolvimento nacional.

OESP, 13/06/2005, Notas e Informações, p.A2

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