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Só duas regiões de São Paulo escapam do índice alarmante de poluição por ozônio

OESP, Metrópole, p. C1
18 de Jun de 2010

Só duas regiões de São Paulo escapam do índice alarmante de poluição por ozônio
Na capital, alta concentração do poluente é registrada em todos os bairros; Ibirapuera e USP estão entre as áreas mais problemáticas

Afra Balazina

A poluição do ar por ozônio é um problema grave em quase todo o Estado. De um total de 32 áreas avaliadas entre 2007 e 2009, apenas duas ainda não estão saturadas pelo poluente. A situação da Região Metropolitana é motivo de grande preocupação: de 14 estações de monitoramento, dez tiveram poluição "severa" - o nível mais alto possível. Toda a capital já enfrenta concentração crítica desse poluente.
Os dados são da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). As regiões do Parque do Ibirapuera e da Universidade de São Paulo (USP), onde muitas pessoas se exercitam, estão entre as mais problemáticas.
A alta concentração de ozônio prejudica a saúde da população - os sintomas podem ir desde o aumento de mortes prematuras de pessoas com doenças respiratórias até tosse seca e cansaço. Por causa desses últimos sintomas, a empresária Hérika Guarnieri chegou a mudar a rotina de exercícios. Ela corria todas as manhãs no Ibirapuera. Para evitar o ar mais seco, começou a frequentar o parque no fim da tarde. "No clima de inverno, o ozônio vira um problema."
A vendedora Vera Lúcia Santos, que passa cerca de dez horas por dia no parque vendendo coco e doces para os corredores, sofre efeitos parecidos. "O olho arde para caramba. E na garganta dá uma coceirinha enjoada, que fica o dia todo", comenta.
Quando o nível de poluição é considerado "severo" significa que houve grande ultrapassagem do padrão da qualidade do ar - limite máximo estabelecido pelo governo para a concentração de um poluente na atmosfera. Já quando o nível é sério, a ultrapassagem foi intermediária. O objetivo da classificação é condicionar a concessão de licenças para empreendimentos, como indústrias, à realização de ações que compensem a poluição em áreas já saturadas. "As informações mostram que é preciso trabalhar para reduzir a poluição, ter maior planejamento e programas de controle", diz o gerente de Qualidade Ambiental da Cetesb, Carlos Komatsu.
Segundo ele, o ozônio é difícil de estudar e de controlar por se tratar de um poluente secundário. Ele não sai diretamente de uma fonte, como o escapamento de um veículo, mas se forma pelas reações entre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis na presença de luz solar. Dias bonitos e ensolarados, portanto, têm mais chances de serem poluídos por ozônio.
De acordo com Komatsu, o ozônio também está presente em muitos lugares porque os gases precursores desse poluente podem viajar e só se transformarem nele longe de onde foram emitidos. Esses precursores podem ser jogados na atmosfera por veículos ou indústrias. "A solução para o problema passa sempre por investimentos em transporte público", diz o gerente.
Hoje, existem 25 regiões no Estado saturadas por ozônio. Desses locais, a situação é um pouco melhor em Sorocaba, Ribeirão Preto e Piracicaba - onde o nível de poluição foi considerado "moderado". Há cinco pontos próximos da saturação: Araraquara, Bauru, Jaú, São José do Rio Preto e Araçatuba. E as únicas estações que ainda podem comemorar o fato de não estarem tomadas pela poluição de ozônio são Marília e Presidente Prudente.
Vale lembrar que o ozônio só é tóxico quando está na troposfera (mais perto do solo). Já na estratosfera, a 25 km de altitude, tem a função de proteger a Terra dos raios ultravioleta do sol.
Mutação. Carlos Menck, professor do Departamento de Microbiologia da USP, explica que o ozônio danifica o material genético, o que pode provocar tumor no pulmão. "É muito importante monitorar o poluente e é primordial tentar controlá-lo." /
Colaborou Rodrigo Burgarelli

Três perguntas para...
Raul de Oliveira
Fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

1. Qual é o melhor horário para fazer exercício?

O ideal é às 6h, quando os níveis de ozônio ainda estão baixos e a umidade relativa do ar é maior.

2. Quem se exercita sofre mais com a poluição?

Sim, durante o exercício inspiramos mais ar. Quem faz exercício em local poluído tem maior frequência cardíaca, mais sensação de fadiga e pressão alta.

3. E que cuidados as pessoas devem tomar?

Não devem deixar de se exercitar. Mas é bom andar com uma toalha molhada ou garrafa d"água para umedecer olhos, nariz e boca.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100618/not_imp568430,0.php

Baixa umidade deixa capital em estado de atenção

A Defesa Civil de São Paulo decretou estado de atenção em toda a capital, na tarde de ontem, por causa da baixa umidade relativa do ar. A marca chegou a menos de 30%, limite máximo permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para não causar danos à saúde.
Conforme o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), o ar ficou mais seco na região do Campo de Marte, na zona norte (26%, às 14 horas). A Defesa Civil ressalta que nos meses em que ocorrem poucas chuvas é comum a umidade do ar cair. Isso, porém, aumenta os níveis de dióxido de enxofre e material particulado.
Diminuição das defesas. Segundo a pneumologista da Unifesp Jaquelina Ota Arakaki, a piora nos problemas de saúde é provocada pela diminuição das defesas das vias respiratórias, que, para protegerem o organismo, utilizam-se de mucosas e cílios. "Com o tempo seco, as mucosas secam." Por isso, a principal recomendação é beber muita água.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100618/not_imp568445,0.php

Para lembra
Governo vai adotar padrão mais rígido

São Paulo será a primeira cidade do mundo a adotar os limites para poluição do ar recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como adiantou o "Estado" no domingo. A determinação virá por meio de decreto a ser assinado pelo governador Alberto Goldman (PSDB) até dezembro, e valerá em todo o Estado, começando pela capital. O padrão será mais rígido que o atual, em vigor desde 1990. E deve motivar, além de novos requisitos para empresas obterem licenças ambientais, a aplicação de medidas mais extremas ? como ampliação do rodízio de veículos sempre que o nível de poluição atingir índices críticos.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100618/not_imp568444,0.php

Congonhas está saturado de pó e de fumaça

A região de Congonhas não enfrenta somente a poluição por ozônio. De acordo com os dados da Cetesb, a área na zona sul também está saturada por partículas totais em suspensão ? mistura de poeira e fumaça de carros, indústrias e poeira do solo. Parte dessas partículas é inalável e pode causar problemas à saúde.
Congonhas está também próximo da saturação para monóxido de carbono e para dióxido de nitrogênio, emitidos principalmente por veículos. Segundo o gerente Carlos Komatsu, da Cetesb, a área tem a influência da Avenida dos Bandeirantes, da 23 de Maio e do aeroporto. "Não sabemos com certeza qual é a parcela de culpa dos aviões", afirma ele. Os particulados vêm principalmente dos veículos pesados, que utilizam diesel.
De acordo com o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, há muita reclamação na região sobre a poluição, "com razão". Para dar o licenciamento ambiental ao aeroporto, a secretaria fez cerca de 90 exigências, mas a Infraero conseguiu barrá-las na Justiça Federal. "Não queremos fechar Congonhas, mas que funcione disciplinadamente e conviva bem com a cidade." / A.B.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100618/not_imp568441,0.php

OESP, 18/06/2010, Metrópole, p. C1

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