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Sítio de alto padrão será desapropriado

OESP, Metrópole, p. C1
27 de Ago de 2008

Sítio de alto padrão será desapropriado
Ao lado, morador festeja fim de lixão

Mônica Cardoso

"Não quero sair da casa onde moro há mais de 25 anos", destaca a professora aposentada Marilza Marin, de 53 anos. Seu imóvel deverá ser desapropriado para construção do novo aterro na região noroeste de São Paulo. Na mesma rua moram seus irmãos e sobrinhos, em seis outras casas. A área tem 400 mil m² e abriga cerca de 80 chácaras de alto padrão. Só o valor do terreno com 1 mil m² varia de R$ 150 mil a R$ 180 mil. A casa de Marilza é avaliada por ela em R$ 450 mil. "Estamos sob decreto de desapropriação há quatro anos. Muitos moradores venderam seus imóveis abaixo do preço real", contou. Temerosa da desvalorização, a professora sabe na ponta da língua os outros problemas causados por aterros: mau cheiro, contaminação e proliferação de ratos e insetos. Isso porque o aterro Bandeirantes fica próximo.

Disposta a resistir, a professora participou do movimento "Lixão: mais um não", que reuniu 1.800 moradores do bairro em uma caminhada pela Rodovia Anhangüera em abril. A auxiliar técnica em educação, Roberta Pardo Mendes, de 38 anos, aderiu ao movimento, embora more em um loteamento que não será desapropriado. "Disseram que a população que mora em Perus seria recompensada por ter convivido tantos anos com o lixo, que a taxa de energia seria menor por causa da produção de gás. E até agora isso não aconteceu."

A vendedora Wanda Rodrigues Oliveira Santos, de 42 anos, foi vizinha do Bandeirantes por 25 anos e conhece os problemas de perto. "Meu filho tinha bolhas de água nos braços e o médico falava que era por causa do lixão." O coordenador do Movimento Perus Unido e morador da região, Paulo Rodrigues, concorda. "Não queremos um novo aterro na região. Desde março do ano passado, nossa vida mudou com o fim das atividades do Bandeirantes. Não tem mais aquele mau cheiro no ar e as moscas sumiram. A gente até pode fazer churrasco sossegado."

OESP, 27/08/2008, Metrópole, p. C1

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