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Sistema elétrico trabalha com reserva de energia abaixo do recomendável

OESP, Economia, p. B1
06 de Fev de 2014

Sistema elétrico trabalha com reserva de energia abaixo do recomendável

ALEXA SALOMÃO - Agencia Estado

SÃO PAULO - Pelas normas de segurança, o sistema elétrico brasileiro precisa trabalhar com sobra de energia equivalente a 5% da eletricidade consumida no País. Para alguns especialistas, um piso de 3% ainda é aceitável. O fato é: sempre deve haver uma porção extra à disposição do sistema. Sem ela, um pico repentino de consumo pode criar uma sobrecarga e simplesmente desligar todo o País. Neste momento, porém, essa porção extra estratégica está bem abaixo do recomendável. Na terça-feira, 4, dia do apagão, equivalia a aproximadamente 2% do consumo.
"Não como justificar esse patamar tão baixo - há algo muito estranho na geração de energia que precisa ser investigado", diz um especialista do setor que prefere não ser citado. Fica mais complicado ainda entender a situação quando se leva em conta que o Brasil tem capacidade instalada de 120 mil megawatts e o pico de consumo foi de pouco mais de 80 mil MW. Ou seja: haveria uma sobre de 40 mil MW. "Deveria ser moleza ter energia extra, mas não está sendo", diz o especialista.
Essa porção extra de energia que fica de sobreaviso é tecnicamente chamada de energia girante ou operacional. Quem conhece o setor diz que não é normal que essa reserva se mantenha em níveis tão baixos.
"Quando a energia girante cai, automaticamente o ONS escala geradores para oferecer o volume adequado: não é comum o sistema trabalhar com reservas abaixo do previsto - elas devem ser iguais ou maiores ao recomendado", diz um ex-técnico do ONS que prefere não ser identificado. "Se isso está ocorrendo, é porque o sistema opera apertado, apesar de o governo negar."
A queda da reserva girante aparece nos próprios boletins do Operador Nacional do Sistema (ONS). A oferta foi adequada até meados de janeiro. A partir da segunda quinzena começou a cair.
Para piorar, essa distorção ocorre em um momento crítico, quando o consumo bate recordes e é importante ter energia de sobreaviso para suportar um inesperado pico de demanda ou uma falha técnica na transmissão ou em alguma subestação.
Para os especialistas, há duas hipóteses para a queda na oferta dessa energia estratégica. A primeira tem relação com a queda no volume de água nas barragens das usinas. "Com um volume menor de água, a potência cai", diz uma especialista.
A segunda hipótese leva em conta a sobrecarga no parque térmico. As térmicas precisam de paradas técnicas, para manutenção, a cada 8 mil horas de funcionamento. Um grande número deles pode estar entrando em manutenção agora.
"Não há clareza sobre o que está ocorrendo", diz outro especialista. Procurados pela reportagem para comentar o problema, as assessorias do ONS e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) comunicaram que seus porta-vozes estavam em reuniões e não poderiam se manifestar até o fechamento desta edição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OESP, 06/02/2014, Economia, p. B1

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,sistema-eletrico…

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