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Sinal vermelho no Amazonas

Amazônia Real - http://amazoniareal.com.br/
Autor: Kátia Brasil
20 de Out de 2013

Com bases nos dados do SAD/Imazon, o coordenador do sistema Adalberto Veríssimo diz que o Estado do Amazonas foi o que apresentou alta na taxa de desmatamento, muito embora, em termos absolutos, segundo ele, a maior área desmatada continua sendo no Pará. Esse Estado enfrenta uma nova onda de migração com as obras de asfaltamento da BR-163 (Cuiabá-Santarém), a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na região do rio Xingu, além do anúncio de novas usinas na bacia do rio Tapajós.

O coordenador do SAD afirma que o problema do Amazonas é não estar mais blindado contra o desmatamento. Nos últimos cinco anos, conforme ele, a devastação tem crescido especialmente na região sul do Amazonas.

"O governo do Amazonas precisa agir para conter a escalada do desmatamento no sul do Estado. Afinal a Zona Franca foi proclamada como a melhor vacina contra o desmatamento, pois gera emprego e renda em larga escala. É hora de fazer valer esse argumento", afirmou Adalberto Veríssimo.

Em 2012, enquanto as taxas baixaram nos Estados do Pará e Mato Grosso, o Prodes apresentou aumento de 4% (523 km²) na devastação da floresta do Amazonas. O foco da devastação está distribuído pelos municípios de Lábrea, Boca do Acre, Apuí e Manicoré, dos quais o acesso é pela Transamazônica.

Além do desmatamento, a região enfrenta invasão de terras públicas, grilagem, migração e conflitos agrários. Jerfferson Lobato, analista ambiental da divisão técnica do Ibama do Amazonas, afirma que os migrantes provém dos Estados do Mato Grosso, Rondônia e Pará.

"O Amazonas é a bola da vez do desmatamento. É a última fronteira. A grande massa da migração invade as terras públicas seja da União ou do Estado. As pessoas poderosas são as que financiam os desmatamentos", disse Lobato.

Dalton Valeriano, do Inpe, diz que o avanço do desmatamento no sul do Amazonas é preocupante, mesmo o Estado apresentado uma área total de 1.464 milhão de km2 de florestas nativas. Desde 1988, quando o Prodes iniciou o monitoramento, o Amazonas perdeu 36.059 km2 de florestas ou 2,40% da cobertura vegetal. Neste número não estão inclusos as savanas, que ficam na parte sul do Estado, e a campinarana, localizada mais ao norte da região.

"O Estado do Amazonas é gigantesco e muito conservado. Tem uma rede hidroviária e uma peculiaridade que é a Zona Franca, que drena o desmatamento. Hoje 97,6% das florestas do Amazonas estão preservadas.
Mas a pressão preocupa sim por que está associada a agricultura de grãos", afirmou Dalton Valeriano.

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