GM, Agribusiness, p.B10
07 de Jul de 2004
Sigatoka ameaça os bananais de São Paulo
Um grupo de técnicos da Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) começa hoje a coleta de material genético nos pomares de banana do Vale do Ribeira. O trabalho tentará dimensionar a área atingida pela Sigatoka negra, fungo que acaba de ser descoberto numa fazenda produtora de banana, na cidade de Miracatu, localizada às margens da rodovia federal BR 116. A praga foi diagnosticada em 1998 no Amazonas e este é o primeiro foco em São Paulo. A doença já foi detectada no Pará e Mato Grosso.
Segundo Mario Tomazela, diretor de defesa vegetal da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), o mapeamento da região já afetada deverá começar a ser conhecido no final de semana. A previsão é que o fungo já tenha atingido outras propriedades do Vale do Ribeira. O levantamento deverá confirmar esta avaliação. Tomazela passou o dia de ontem dando instruções para os técnicos que irão a campo a partir de hoje sobre como definir uma área de cobertura, como fazer a coleta e, ainda, a remessa do material para análise. Todo o material será encaminhado ao Instituto Biológico, que se encarregará de fazer as análises.
A principal preocupação recai sobre o efeito que a Sigatoka pode ter nos negócios. A região do Vale do Ribeira, uma das mais carentes de São Paulo, tem forte lastro na produção de banana. Grande parte da safra é comercializada com outros estados e este mercado pode ser fortemente afetado com o problema. O Rio de Janeiro, por exemplo, já tomou a decisão de proibir a importação de banana de São Paulo depois do anúncio do primeiro foco no Estado. "O Rio tomou a decisão baseada na portaria do Ministério da Agricultura número 41, que normatiza o trânsito do produto no Brasil", explica Tomazela
Produção
A região de Registro é uma das principais produtoras. Na safra 2003, incorporou 1.055 hectares em áreas novas. A superfície cultivada chegou a 33,4 mil hectares, o equivalente a 60% da área destinada a cultura em São Paulo. A produção em 2003 na região chegou a 764,6 mil toneladas, o que representou 66,9% da produção de São Paulo, que atingiu no ano passado a marca de 1,151 milhão de toneladas, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA).
De acordo com Tomazela, uma comissão da secretaria avalia a situação e estuda medidas que deverão ser apresentadas aos produtores nos próximos dias. Por enquanto, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária ordenou a retirada das folhas infectadas para queima. Um fungicida já foi aplicado nas 10 mil plantas que formam o pomar da propriedade.
Conseqüências
O diretor afirmou que ainda não sabe como a doença poderá se alastrar em São Paulo. Nas áreas de clima mais quente, como no Norte do País, o avanço da Sigatoka ocorre rapidamente. Na região de Registro, de clima mais frio, o comportamento poderá ser diferente. "Não temos muitas pesquisas sobre a doença em São Paulo, já que não havia áreas contaminadas. A situação levará a estudos mais detalhados sobre o comportamento desta doença", diz Tomazela.
Os sintomas da doença são o escurecimento das folhas, o que inibe a fotossíntese. Isso leva a planta à morte. Uma solução que deverá constar das orientações da secretaria será o plantio de variedades tolerantes. Por enquanto, as variedades que se mostraram susceptíveis foram prata, maçã e nanica.
GM, 07/07/2004, p. B10
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