O Globo, O Pais, p.12
25 de Dez de 2005
Setor privado alia-se a governo na mobilização
Febraban recomenda bloqueio ao crédito de nomes da lista suja
Brasília. A luta pela erradicação do trabalho escravo no país ganhou o apoio do setor privado. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) aliou-se ao governo nessa campanha e decidiu recomendar às suas 180 instituições associadas que não façam empréstimos para grupos e fazendeiros que tenham seus nomes incluídos na lista suja do trabalho escravo. Uma portaria do Ministério do Trabalho já havia proibido esse tipo de financiamento de bancos públicos, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Atualizado neste fim de ano, o cadastro de empregadores flagrados submetendo trabalhadores nessas condições contém 139 nomes. Todos estes estão, a partir de agora, sem direito a levantar empréstimo em qualquer banco até excluírem seu nome da lista. O acordo entre a direção da Febraban com o governo foi assinado no Palácio do Planalto, há duas semanas.
Orientação repassada aos bancos
O superintendente de Relações do Trabalho da Febraban, Magnus Ribas Apostólico, informou que a orientação já foi repassada a todos os bancos associados à entidade. Ele disse que a postura da federação acompanha o esforço do governo de combater esse crime no país.
O que leva a Febraban a adotar essa medida é a sua extensão social. Não se pode compactuar com esse tipo de atividade no Brasil. É inaceitável em pleno século 21 se falar em trabalho escravo disse Magnus Ribas.
Testemunha do acordo entre o governo e a Febraban, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) faz elogios ãs ações do governo nessa área. A diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, afirmou que o trabalho escravo é um crime que atenta contra os direitos humanos.
Mas para que se consiga erradicar o trabalho escravo no Brasil é muito importante que, além de prioridade do governo, esta luta possa ser identificada com uma política de Estado, assumida por aqueles que defendem o estado democrático de direito e a liberdade disse Laís Abramo.
Infratores perdem oportunidade de negócios
Outra medida que inibiu a ação dos exploradores do trabalho escravo foi a elaboração da lista da cadeia produtiva, que mostra os itens comercializados pelas fazendas desses proprietários. Grandes empresas, como frigoríficos, deixaram de comprar desses fornecedores. Mas alguns infratores estão conseguindo obter na Justiça a exclusão de seus nomes da lista suja. Já chegam a 21 os empregadores que ganharam liminares e saíram, temporariamente, da relação.
O Globo, 25/12/2005, p. 12
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