GM, Celulose, p. A10
20 de Set de 2004
Setor prepara novo salto na produção
Apenas um projeto, o da Veracel, vai colocar mais 900 mil toneladas no mercado. A produção nacional de pastas celulósicas deverá ser de 9,4 milhões de toneladas em 2004, o que representará crescimento de 3% sobre os 9,1 milhões de 2003, segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). O incremento é bem menor que o de 2003, quando a produção saltou 13% sobre os 8 milhões de toneladas de 2002. A expectativa do setor, no entanto, é de que em 2005 haja um novo salto, por conta principalmente do início de operações da fábrica da Veracel, na Bahia, cuja capacidade de produção será de 900 mil toneladas.
O Brasil é o sétimo maior produtor de pastas celulósicas do mundo. Em 2001, segundo a revista norte-americana "Pulp & Paper International", o País produziu 7,4 milhões de toneladas de pastas celulósicas, 4,1% do total mundial de 179,37 milhões de toneladas. O País ficou atrás dos Estados Unidos (maior produtor, com 52,79 milhões de toneladas), Canadá (24,92 milhões), China (17,57 milhões), Finlândia (11,17 milhões), Suécia (11 milhões) e Japão (10,81 milhões).
A maior parte da produção brasileira de pastas celulósicas é de pastas químicas e semiquímicas, chamadas genericamente de celulose. Entre as pastas químicas e semiquímicas, a mais fabricada no País é a branqueada, de fibra curta de eucalipto. A produção de celulose branqueada de eucalipto aumentou muito de meados do século passado para cá. Esse crescimento está relacionado ao aumento das exportações e à utilização desse tipo de celulose na produção integrada de papéis de imprimir e escrever.
A participação da celulose de fibra curta de eucalipto na produção total de pastas celulósicas do Brasil saltou de apenas 1,7% em 1950 para 78,3% em 2003, ano em que respondeu por 7,12 milhões de toneladas de um total de 9,1 milhões de toneladas de pastas celulósicas produzidas no País.
Nessa categoria, predominou a celulose branqueada (6,82 milhões de toneladas, ou 95,8%) utilizada principalmente nos papéis para imprimir e escrever. Já a celulose de fibra longa (geralmente de pínus) participou com 16,8% da produção em 2003, 1,53 milhão de toneladas, predominando nesse caso o tipo não branqueado (1,42 milhão, ou 94,4%), cuja principal destinação é a produção de papéis para embalagem. Nesse caso, a participação das pastas de alto rendimento, muito utilizadas na fabricação de papel de imprensa, foi de 4,9% (449 mil toneladas).
Nos últimos anos, pouco mais da metade das pastas celulósicas produzidas no Brasil vem sendo destinada à venda. Trata-se da chamada "celulose de mercado". A outra metade, a celulose cativa, é consumida pelas próprias fabricantes para a produção integrada de papel.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de celulose de mercado. Em 2001, segundo dados da Bracelpa, os produtores do País destinaram ao mercado 3,91 milhões de toneladas de pastas celulósicas (considerando celulose e pastas de alto rendimento), o que correspondeu a 9,3% dos 42,01 milhões de toneladas de pastas celulósicas postas no mercado em todo o mundo naquele ano. O Brasil ficou atrás apenas do Canadá, com 9,58 milhões de toneladas (22,8%), e dos Estados Unidos, com 7,41 milhões (17,6%).
Quando se considera apenas a celulose de fibra curta de eucalipto, o Brasil não tem competidores. Em 2002, dos 7,29 milhões de toneladas de celulose de mercado de eucalipto que se estima tenham sido produzidas no mundo (4,35 milhões na América Latina, 2,12 milhões na Europa, 450 mil na Ásia e 370 mil na África), o Brasil foi responsável por 4,03 milhões, ou seja, respondeu por 55% do total. Também são produtores de celulose de eucalipto, entre outros países, Espanha, Portugal, Chile e África do Sul.
A relação entre vendas para terceiros e produção vem aumentando ao longo dos anos. Claramente, esse incremento deve-se às exportações. De 2002 para 2003, por exemplo, segundo números da Bracelpa, as exportações cresceram 846 mil toneladas, de 3,42 milhões para 4,27 milhões de toneladas, o equivalente a 24,7%. Já as vendas domésticas caíram 26 mil toneladas, de 773 mil para 747 mil, o equivalente a 3,4%.
Os números de exportação da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex-MDIC) diferem dos da Bracelpa e são mais impressionantes ainda. Em volume, as exportações de pastas celulósicas cresceram 32,7% no período, de 3,44 milhões de toneladas em 2002 para 4,57 milhões de toneladas no ano seguinte. E, em dólares, o aumento foi de 50,3%, saíra de US$ 1,16 bilhão em 2002 para US$ 1,74 bilhão no ano seguinte.
Em 2003, os produtores que mais venderam pastas celulósicas foram a Aracruz Celulose, Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), Votorantim Celulose e Papel (VCP), Suzano Bahia Sul Papel e Celulose e Jari. Todas as cinco empresas produzem celulose branqueada de eucalipto. Aracruz, Cenibra e Jari só produzem a chamada celulose de mercado. Já a Votorantim e a Suzano Bahia Sul Papel e Celulose produzem celulose também para uso próprio.
A participação da Aracruz aumentou de 2002 para 2003, em relação tanto às vendas totais (passou de 37,8% para 42,9%) quanto às vendas externas (de 45,6% para 49,5%). Isso ocorreu não só por causa da aquisição da Riocell mas também pelo aumento da capacidade produtiva da empresa. Também a VCP elevou sua participação nas vendas de pastas celulósicas produzidas no País, passou de 8,1% em 2002 para 12,1% em 2003 nas vendas totais; e de 7,5% para 12,4% nas vendas externas. A razão foi o incremento da capacidade produtiva da empresa.
Em 2003, a soma de investimentos na área industrial e na floresta da Jari foi da ordem de US$ 12 milhões. Boa parte dos recursos destinou-se ao aperfeiçoamento de processos industriais e à aquisição de equipamentos. Entre esses últimos, destacam-se aqueles que contribuem para reduzir o impacto das atividades da fábrica sobre o meio ambiente.
Capacidade aumenta em ritmo intenso
Os investimentos na produção de celulose não param. Em 2003, a Aracruz Celulose concluiu projeto de R$ 1,7 bilhão para elevar a capacidade de produção para 2 milhões de toneladas/ano e adquiriu a Riocell, fabricante de celulose localizada em Guaíba (RS). Com a aquisição, que custou R$ 1,64 bilhão, a capacidade da Aracruz chegou a 2,4 milhões de toneladas. Ainda em 2003, a Aracruz e a sueco-finlandesa Stora Enso comunicaram a decisão de construir uma fábrica de celulose com capacidade para 900 mil toneladas anuais do produto.
A previsão é de que as obras estejam prontas em 2005. As 450 mil toneladas que a Veracel irá produzir por ano para a Aracruz (as outras 450 mil serão para a Stora Enso) elevarão a produção de celulose da fábrica capixaba para 2,85 milhões de toneladas por ano em 2005. Na semana passada, a empresa anunciou um outro investimento, de R$ 150 milhões, para ampliar a capacidade da unidade de Guaíba das atuais 400 mil toneladas para 430 mil toneladas.
Já a Cenibra concluiu no ano passado investimentos de US$ 44,8 milhões com o objetivo de elevar sua capacidade produtiva para 860 mil toneladas por ano. Os acionistas da empresa confirmaram que vão investir US$ 250 milhões nos próximos dois anos na aquisição de terrenos e em licitação de equipamentos.
Em 2003, a capacidade instalada de produção de celulose da VCP aumentou em 570 mil toneladas anuais, passou de 850 mil para 1,42 milhão de toneladas. O incremento ocorreu na unidade de Jacareí (SP), que passou a produzir 1,05 milhão de toneladas de celulose. Em três anos, até 2003, os investimentos da empresa somaram US$ 1,2 bilhão.
Já a Suzano Bahia Sul Papel e Celulose conclui em 2004 projeto de otimização da produção da unidade de Mucuri (BA), que resultará numa produção adicional de 60 mil toneladas de celulose por ano a partir de 2005. Em 2003, foram contratados serviços e equipamentos para a implantação desse projeto, tendo sido investidos no ano R$ 33,9 milhões, ou US$ 11 milhões, de um total estimado em US$ 66 milhões. Está em fase de estudos também projeto que elevará a capacidade anual de produção de celulose da fábrica de Mucuri em 1 milhão de toneladas em 2008. Os investimentos estimados pela Suzano para a implantação do projeto são de US$ 1,2 bilhão, incluindo a formação da base florestal.
Programa para aplicar US$ 14,4 bi até 2012
Em julho de 2003, a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) entregou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um programa de investimentos do setor para o período de 2003 a 2012. Esse programa prevê que as indústrias produtoras de celulose e papel do País deverão ter investido US$ 14,4 bilhões no período, "a fim de ampliar sua capacidade produtiva e assim aumentar as exportações e criar novas oportunidades de trabalho".
O programa de investimentos da Bracelpa objetiva duplicar as exportações de celulose, manter a participação do País no mercado internacional de papel e suprir plenamente a expansão da demanda doméstica de papel (colaborando assim para a redução das importações). Para que essas metas sejam atingidas, três fatores foram considerados essenciais pela entidade: a expansão da base florestal, a ampliação da capacidade industrial e a promoção da competitividade.
No que se refere à produção, o programa da Bracelpa prevê investimentos de US$ 7,3 bilhões para pastas celulósicas e de US$ 5,2 bilhões para papel (o US$ 1,9 bilhão restante seria destinado à produção de madeira). A meta é que a produção de pastas celulósicas salte dos 8 milhões de toneladas de 2002 para 14,5 milhões em 2012, crescimento de 81%, média anual de 6,1%. A produção de papel passaria de 7,7 milhões de toneladas para 13,4 milhões, incremento de 74% no período, média anual de 5,7%.
O programa da Bracelpa estabelece também que as exportações brasileiras de pastas celulósicas e papel devam saltar dos US$ 2,1 bilhões de 2002 para US$ 4,3 bilhões em 2012, crescimento de 105%. Em volume, as exportações de pastas celulósicas crescerão dos 3,5 milhões de toneladas para 7,4 milhões no período, 114%, uma média de 7,9% ao ano; e as de papel, de 1,4 milhão para 2 milhões de toneladas, 43%, média de 3,5% ao ano.
Produto brasileiro chega a mais de 50 países
A indústria brasileira produziu, no primeiro semestre deste ano, 4,7 milhões de toneladas de celulose, 6,6% mais do que na primeira metade de 2003, segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). As exportações cresceram 18% no período e alcançaram 2,3 milhões de toneladas. Só em junho último aumentaram 28,5%.
Em 2003, as exportações brasileiras de pastas celulósicas destinaram-se a 56 países de todos os continentes, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex-MDIC). Europa, Ásia (sem o Oriente Médio) e Américas receberam 97,7% do total exportado em dólares. A Europa ficou com 42,7% do total (US$ 744 milhões), a Ásia com 28,8% (US$ 502 milhões) e as Américas com 26,2% (US$ 457 milhões).
Em cada um desses três continentes, 14 foram os países de destino das exportações. Os 2,3% restantes incluíram diferentes mercados da Oceania, África (sem o Oriente Médio) e Oriente Médio. Na Oceania, um único país importou pastas celulósicas brasileiras em 2003, a Austrália. Na África, seis países compraram o produto feito no Brasil e no Oriente Médio foram sete os países atendidos.
No continente europeu não houve nenhum país da Europa Oriental entre os destinos das exportações de pastas celulósicas em 2003. Todos eram da Europa Ocidental. Já as exportações para o continente americano foram quase que totalmente destinadas aos Estados Unidos, que responderam por US$ FOB 434 milhões, 95,1% do total de US$ 457 milhões exportado para a região.
A novidade dos últimos anos é a China, que em 1999 era o nono país da lista de importadores de celulose do Brasil, saltou para o terceiro lugar em 2001 e chegou em 2003 como o segundo maior importador de pastas celulósicas do Brasil, com US$ 266 milhões, atrás apenas do líder Estados Unidos.
O Brasil é referência em florestas plantadas
O Brasil é referência mundial quando se trata de competitividade em florestas plantadas. Dois fatores são freqüentemente citados pelos reflorestadores como vantagens competitivas da indústria brasileira de celulose e papel, o ciclo produtivo curto, de 7 anos no caso do plantio de eucalipto, e a maior produtividade no País.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), a produtividade de árvores folhosas (eucaliptos) no Brasil era de 30 metros cúbicos por hectare/ano em 2002, ante 18 na África do Sul, 15 nos Estados Unidos e 12 em Portugal. Mesmo no caso do plantio de árvores coníferas (pínus e araucárias no Brasil), a produtividade brasileira era a maior, de 25 metros cúbicos por hectare/ano, ante 22 na Nova Zelândia, 22 no Chile e 10 nos Estados Unidos.
Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), em dezembro de 2002 havia no País cerca de 1,5 milhão de hectares de plantios destinados à produção de pastas celulósicas. Desse total, 71,3% (1,04 milhão de hectares) eram de eucaliptos, 27,5% de pínus e 1,2% de araucárias e outras espécies. Os plantios estavam distribuídos por 11 estados e mais de 300 municípios. São Paulo concentrava a maior área, 330 mil hectares, 22,7% da área total reflorestada. Seguiam-se Paraná, com 257 mil hectares (17,6%), Bahia, com 239 mil (16,4%), e Minas Gerais, com 154 mil (10,6%). Em São Paulo, na Bahia e em Minas Gerais predominavam os eucaliptais; no Paraná, o pínus.
Em 2003, quando divulgou o programa de investimentos do setor para o período de 2003 a 2012, a Bracelpa chamou a atenção para a necessidade de que os investimentos em florestas tivessem início imediato, pois já havia importações de madeira sendo feitas pela indústria de base florestal. Dos US$ 14,4 bilhões de investimentos previstos para o setor para a década, US$ 1,9 bilhão deverá ser investido até o ano de 2012 para a produção de madeira, o que poderá aumentar a área de florestas plantadas de 1,4 milhão para 2,6 milhões de hectares.
A madeira utilizada na produção de pastas celulósicas e papel no País não é proveniente de florestas nativas. É originária exclusivamente de florestas plantadas, principalmente de eucalipto e de pínus, segundo informa a Bracelpa.
Uma radiografia completa
As informações desta página foram extraídas do Estudo Especial "Celulose: A Indústria e o Mercado", que o Panorama Setorial está lançando. O trabalho analisa as perspectivas do setor. Apresenta o programa de investimentos para até 2012 da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e traz manifestações de produtores sobre as perspectivas de produção e vendas de celulose a curto prazo.
O trabalho conta a história da indústria de celulose e papel no Brasil desde as primeiras fábricas até os dias atuais, balizando a narrativa nos principais marcos econômicos dessa indústria. Mostra também a posição do Brasil no cenário mundial de produção, distribuição e consumo de pastas celulósicas (celulose mais pastas de alto rendimento), quanto o País produz por categoria, quem são os principais produtores brasileiros, o destino da produção, como é feita a distribuição, quanto se exporta e importa do produto por país de destino/origem, e quanto se consome no mercado doméstico.
Como a produção brasileira de pastas celulósicas é toda feita a partir de madeira de florestas plantadas, integra o estudo um apêndice sobre florestas plantadas, que aborda a importância do plantio de florestas para o setor e traz dados quantitativos dessa atividade econômica no País.
O Estudo Especial "Celulose: A Indústria e o Mercado" faz parte de uma série de quatro trabalhos sobre o setor de celulose e papel no País. Os outros três são: "Papel: A Indústria e o Mercado", "Os Produtos da Indústria do Papel" e "A Reciclagem do Papel".
Mais informações sobre o estudo, bem como sobre o conteúdo editorial produzido pela equipe do Panorama Setorial, podem ser acessadas no endereço eletrônico www.panoramasetorial.com.br ou pelo telefone 11-3049-8049.
GM, 20/09/2004, Celulose, p. A10
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