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Setor lança programa de madeira

OESP, Construção, p. Cc6-Cc7
20 de Mar de 2009

Setor lança programa de madeira
O objetivo é fomentar o comércio legal do material em São Paulo e permitir compra mais segura pelo consumidor

Lilian Primi

Os governos do Estado e da cidade de São Paulo e várias instituições ligadas à construção civil assinaram, nesta semana, protocolo de cooperação voluntária e lançaram o programa Madeira é Legal. A ideia é unir o setor em prol da legalização e organização do mercado de compra e venda de madeira, um dos mais problemáticos do ramo, incentivando a compra legal e de produção certificada.
O programa irá implementar várias medidas, como treinamento de compradores de madeira e divulgação de informações a respeito de novas espécies. "Há falta de comunicação no mercado", diz Estêvão Braga, engenheiro florestal da ong WWF Brasil."Para o consumidor, há orientação para compra segura, com informações detalhadas, particularmente sobre as espécies mais indicadas para cada aplicação", diz Braga.
COMPRA SEGURA
Estão envolvidos no protocolo o Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a ONG WWF-Brasil e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), além das entidades representativas que aderiram ao programa, como associações de classe, produtores e distribuidores de madeira. O programa está aberto a novas adesões.
A importância da divulgação de informações técnicas é consequência da extinção de espécies tradicionalmente usadas, como peroba e mogno. "Uma reserva extrativista na Amazônia tem pelo menos 50 espécies com bom potencial de aplicação, mas o mercado conhece no máximo 15", dita Braga. O total na floresta pode passar de 300.
Sem conhecimento, o comprador depende da idoneidade do fornecedor. "Por isso ampliamos a lista de espécies do Manual da Madeira do IPT, que ganhou uma segunda edição atualizada (leia na página ao lado), e incluímos orientação de compra", diz Francisco Vasconcelos, vice-diretor de Meio Ambiente do Sinduscon.
O professor da Escola de Engenharia da USP em São Carlos, Carlito Calil Júnior, que coordena o grupo que está atualizando a NBR para Estruturas de Madeira, diz que a melhor forma de saber se a madeira entregue é a encomendada é fazer-teste de desempenho. "É rápido e não custa tanto."
PEQUENOS EMPREITEIROS
O madeiramento do telhado a maior parte da madeira serrada consumida em São Paulo, segundo Vasconcelos. "Os grandes empreendimentos não usam telhado com estrutura de madeira e há muito que as fôrmas de madeira para concretagem estão sendo substituídas por outros materiais, como aço e madeira engenheirada (paineis de OSB e MDF e compensados). Madeira serrada nesses canteiros só é usada para acabamento, como porta, esquadria de janelas às vezes, piso, deck e plataformas", explica.
As construtoras procuram fornecedores estabelecidos e conhecidos no mercado, para garantir que a madeira será pelo menos legal. Assim, o maior foco de problema ocorre entre pequenos empreiteiros.
"O consumidor final que vai construir sua casa deve fazer como as construtoras e procurar fornecedores idôneos em primeiro lugar.
Quem compra peroba deve saber que o produto ou será resultado de extração ilegal, ou é outra espécie vendida como se fosse peroba", avisa. Vasconcelos diz que os vendedores usam outros nomes para justificar pequenas diferenças, como "peroba do norte", perobinha amarela" etc.
Calil, especialista em estruturas de madeira, diz que o eucalipto pode servir para construir a estrutura do telhado, mas deve ser da espécie correta. "São muitas e algumas têm pouca estabilidade", explica. A nova NBR classifica 17 espécies de eucalipto, 6 espécies de pinus e aproximadamente 60 espécies tropicais. "A pesquisa trabalha no desenvolvimento de peças industrializadas de madeira para o telhado, como a treliça, que pode chegar pronta no canteiro", diz. O professor ressalta ainda a necessidade de formar carpinteiros com urgência. "Só o Senai e outras duas instituições se dedicam a esse treinamento. Falta gente."

Para uma compra legal
Projetos e especificação da madeira: ao projetar e especificar o tipo a ser utilizado é importante que sejam consideradas as características das peças a serem detalhadas, evitando excesso de cortes e emendas. Procure adequar o projeto às peças com medidas de mercado.

Tipo da madeira: consulte no capítulo 6 do Manual de Madeira, as espécies que mais se adaptam a seu projeto.

Fornecedor: adquira madeira somente de empresas que possam comprovar a sua origem por meio de um plano de manejo aprovado pelo Ibama, com a apresentação de nota fiscal e Documento de Origem Florestal (DOF).

Certificação: outra opção é adquirir madeira de origem comprovada por meio de Certificação Florestal. A madeira certificada é aquela que, além da documentação legal, não degrada o ambiente e contribui para o desenvolvimento social e econômico.

Cresce venda de produto certificado
Construtores e consumidores têm hoje mais condições de checar legalidade, do que há alguns anos

O Estado de São Paulo consome 15% da madeira amazônica e 70% dela é usada na construção civil. Não existem dados consolidados do setor, mas estimativas do governo indicam que entre 43% e 80% da produção madeireira da região amazônica seja ilegal, vinda de áreas desnatadas ou exploradas de forma predatória. Em média, 75% da produção abastece o mercado interno.
Em 2005, quando foi lançada a primeira edição do Manual da Madeira, a situação era bem pior. "Muitas construtoras compravam produto ilegal sem saber, pois não havia um mecanismo capaz de checar com segurança a ' documentação como há hoje", diz Francisco Vasconcelos, vice-diretor para o meio ambiente do Sindicato da Construção (Sinduscon).
Na época era difícil também conseguir madeira certificada, pois a quase totalidade da produção ia para exportação. Hoje, apesar de os dados do IBGE indicarem uma queda na produção de madeira, o mercado está mais bem atendido. "Muitas construtoras usam madeira plantada, pois é mais fácil controlara legalidade da compra", diz.
O comércio varejista também indica que há um aumento nas vendas do produto produzido com manejo certificado. "Além da origem legal, ela garante que a produção não agride o ambiente nem explora a mão-de-obra", explica Estêvão Braga, da WWF- Brasil.
MANUAL
A segunda edição do Manual da Madeira deve ajudar tanto as construtoras quanto o consumidor final a escolher e conhecer espécies novas. "O objetivo é ampliar as espécies comercializadas e reduzira pressão sobre as mais conhecidas", diz Braga.
GUIA
Além do manual, foi lançado pelo programa o guia Seja Legal. Voltado para profissionais e consumidores, traz explicações sobre como implementar um programa para eliminar a compra de madeira ilegal da cadeia produtiva. Foi publicado pela WWF Internacional em 2006, para orientar compradores de todo o mundo. Em 2008, o conteúdo foi alterado para enfocar exclusivamente o contexto florestal da Amazônia brasileira. L. P.
Informações:
(011) 5034-1304, ou no site: www.sinduscon.com.br

OESP, 20/03/2009, Construção, p. Cc6-Cc7

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