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Servidão de florestas ganha adeptos em SP

OESP, Vida, p. A26
04 de Dez de 2010

Servidão de florestas ganha adeptos em SP
Modalidade permite que proprietários 'aluguem' terras para cumprir o Código Florestal

Andrea Vialli

Em meio à polêmica sobre as mudanças no Código Florestal, proprietários de terra estão descobrindo a alternativa da servidão florestal. Esse mecanismo permite que um proprietário de terra que não esteja em conformidade com a lei ambiental alugue terras, no mesmo bioma e dentro da mesma bacia hidrográfica, para compor suas áreas de reserva legal.
A Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo analisa os dois primeiros contratos de servidão florestal no Estado. Os documentos - firmados entre proprietários de terras com áreas de matas preservadas e duas empresas dos setores de citricultura e cana-de-açúcar - devem garantir a proteção a uma área de 700 hectares de mata no interior do Estado.
"A servidão florestal é uma possibilidade real de se cumprir o Código Florestal sem precisar alterar a legislação atual", define a advogada especializada em direito ambiental Lina Pimentel, do escritório Mattos Filho. Ela explica que, para o produtor, a servidão é uma forma de ficar em conformidade com a lei ambiental, mesmo tendo desmatado além do permitido.
A modalidade permite ainda ganhar dinheiro com a manutenção da mata nativa em pé.
Fernando Duprat, proprietário de uma fazenda na região de Araras, no interior do Estado, arrendou parte de sua propriedade para a produção de laranja. Vai compensar o déficit de sua área de reserva legal, cerca de 100 hectares, via servidão. "Eu teria um prejuízo grande se tivesse de converter novamente em mata toda a área que já está arrendada para laranja. Com a servidão, é possível cumprir o Código Florestal sem que seja preciso comprar novas terras para compensar a reserva legal", diz.
A realização de contratos de servidão florestal já criou até novos negócios - empresas especializadas em buscar proprietários que queiram alugar suas terras e aqueles que queiram compensar déficits ambientais. Um exemplo é a Verdesa, que faz a intermediação dos acordos firmados em São Paulo. "Para o proprietário de terras que tem área de floresta remanescente, é uma forma de transformar a área em um ativo", diz Philipe Lisbona, fundador da empresa.
No Paraná, a ONG The Nature Conservancy (TNC) mapeou o potencial do Estado pra a servidão florestal - a estimativa é de que 90 mil hectares possam ser usados para esse fim.

OESP, 04/12/2010, Vida, p. A26

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101204/not_imp649306,0.php

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