OESP, Metrópole, p. C4
05 de Fev de 2010
Serra vai investir R$ 305 milhões no Alto Tietê
Verba recebeu reforço de R$ 104,4 milhões para limpar rio, terminar 4 piscinões e começar outros 2
Rodrigo Burgarelli
O governo estadual vai aumentar em R$ 104,4 milhões a verba destinada à recuperação, conservação e manutenção da Bacia do Alto Tietê neste ano, segundo a Secretaria de Estado de Saneamento e Energia. O valor corresponde a acréscimo de mais de 50% na verba já alocada para a região em 2010 - R$ 200,6 milhões - e será garantido por suplementação orçamentária assinada pelo governador José Serra (PSDB) nos próximos dias.
A verba vai custear um plano de trabalho elaborado pela secretaria após estudo de cinco meses realizado no fim do ano passado no Alto Tietê, área que compreende diversos municípios da Grande São Paulo e do alto curso do rio. Um dos focos do projeto são os piscinões. Prevê-se a finalização de quatro que já estão em obra e a construção de mais dois até o primeiro semestre de 2011. Isso elevaria a capacidade de armazenamento em 1,7 milhão de metros cúbicos, o que corresponde a 20% dos 8,5 milhões atuais.
O plano prevê também canalizar córregos, aumentar o recolhimento de lixo e sedimentos no fundo dos rios em 150% e remover mais de 1.300 famílias que ocupam regiões alagadiças na bacia. "Temos de tratar não só a malha hídrica, mas toda a região da Bacia do Tietê", afirmou a secretária Dilma Pena.
De acordo com a secretaria, o pacote de licitações das obras será lançado até março.
PRESSÃO
O aumento de verbas foi anunciado ao mesmo tempo que a Associação dos Municípios do Alto Tietê e Região (Amat) pedia ao governo estadual para desassorear o Rio Tietê acima da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, onde ele não foi canalizado. "Um dos grandes problemas do Tietê é a falta de limpeza do alto curso. Vamos ter de cobrar muito do governo estadual",afirmou o presidente da Amat e prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Jorge Abissamra (PSB).
Uma das cobranças da entidade era a limpeza regular da calha do Tietê nesse trecho.
Em 2009, o governo havia retirado 400 mil metros cúbicos de sedimentos, mas apenas na área canalizada. Agora, neste ano, a remoção vai ocorrer também no alto curso e em seus afluentes, o que deverá aumentar para 1 milhão de metros cúbicos o volume de detritos retirados.
DEMORA
Apesar de aprovar a limpeza do Alto Tietê,ambientalistas chamaram a atenção para a demora em remediar o problema. "É uma notícia ótima.
O rio lá em cima está totalmente assoreado. Mas, se a retirada de entulho fosse feita antes, isso poderia ter minimizado as enchentes nas regiões de várzea, como o Jardim Romano. Quanto melhor as condições de escoamento, menor são as chances de inundação na várzea", disse o engenheiro ambiental e ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê, Júlio Cerqueira César Neto.
Para o professor do Departamento de Geologia Aplicada da Unesp de Rio Claro José Eduardo Zaine, apenas desassorear não vai resolver o problema. "É preciso fazer ações integradas, como controlar a construção irregular nas margens, o despejo de lixo e a impermeabilização das várzeas", disse.
OESP, 05/02/2010, Metrópole, p. C4
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