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Serra do Sol: Ministro visitará zona de tensão

Amazônas em Tempo-Manaus-AM
Autor: Mário Adolfo
21 de Mai de 2003

A demarcação das terras indígenas Raposa e Serra do Sol, que ocupam 1.700 hectares e onde vivem 12 mil índios, em Roraima, seria a oportunidade para marcar a mudança do governo Lula, "mas estamos vendo com surpresa que o governo está vacilante". Esta foi a reação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ontem à noite, ao ser informado que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, atendendo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está programando uma visita a Roraima, para verificar a situação nas terras indígenas.

Sob várias formas de ameaças, os Macuxi, Wapixana, Igaricó e Taretang lutam há anos pela demarcação das terras de Raposa e Serra do Sol. Na verdade, não há mais o que demarcar, pois isso foi feito no final do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998. O que está faltando é o governo Lula homologar a demarcação.

- A iniciativa de mandar o ministro lá é importante, mas o que o presidente Lula deveria fazer é praticar o ato administrativo da homologação da área - disse ontem à noite o coordenador do CIMI no Amazonas, Francisco Loebens Guenter. Segundo ele, Raposa e Terra do Sol são verdadeiras zonas de tensão porque os fazendeiros e políticos vêm criando todos os tipos de obstáculos para impedir a homologação das terras indígenas.

O mais importante, de acordo com Guenter, é que as terras indígenas de Raposa e Serra do Sol já foram demarcadas quando o ministro da Justiça era o atual senador Renan Calheiros (PMDB-AL). "Mas os fazendeiros e políticos financiaram a invasão de arrozeiros dentro da área indígena", acusa o coordenador do CIMI no Amazonas, observando que os arrozeiros entraram nas terras com subsídios do governo do Estado de Roraima, quando as áreas já haviam sido identificadas pela Funai para demarcação.

- Eu não tenho dúvida que uma decisão do presidente Lula para homologar a demarcação, seria a maior marca da mudança que seu governo pretende fazer no País. Mas não é isso que estamos vendo. Aliás, estamos surpresos com a maneira vacilante com que o governo da mudança está enfrentando a demarcação - critica Francisco Guenter.

Para o CIMI, a impressão que Lula está dando é que existe a possibilidade de uma revisão de limites. "Eles acham que os índios não merecem tanta terra", comenta Guenter, adiantando que o CIMI vai acompanhar a ida do ministro através da diocese de Roraima.

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