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Serpentes venenosas são alvo de pesquisas do Butantan

ICMBio - www.icmbio.gov.br
Autor: Carla Lisboa
23 de Nov de 2009

A partir de 1987, quando foi criada a Estação Ecológica (Esec) Tupinambás, o Instituto Butantan passou a realizar pesquisas na área com várias espécies de cobras, principalmente no arquipélago de Alcatrazes, onde ficam as maiores ilhas. O problema é que, em virtude do relevo acidentado, há vários locais que nunca foram explorados. "Mesmo assim, pode-se fazer uma comparação genérica com outras ilhas que tem muitas serpentes, como a Ilha de Queimada Grande, também no litoral de São Paulo", diz o chefe-substituto da Esec, Gerhard Kempkes.

A Ilha de Queimada Grande é conhecida pela enorme quantidade de cobras, especialmente a jararaca-ilhoa, espécie endêmica da ilha e, segundo alguns cientistas, a serpente mais venenosa do mundo. O Instituto Butantan também faz pesquisas no local.

Desde que a Esec ganhou sede em São Sebastião, em 2001, a equipe do ICMBio, que antes de 2007 era do Ibama, tem atuado na fiscalização da área e mantido um programa de educação ambiental na região. "Temos organizado também o trabalho de pesquisadores e estamos atuando em um grupo de trabalho em conjunto com a marinha para tentar compatibilizar a necessidade de proteção da área com a necessidade da Marinha, de realizar os seus exercícios de tiro", declara Kempkes.

Segundo ele, pelo fato de a unidade ser marinha (está situada em alto mar, a 40 km do litoral) e de ainda estarem sendo descobertas novas espécies, não há uma contabilidade de cada uma delas, mas garante que são espécies bem raras. Os analistas do ICMBio que atuam na Esec também cuidam da proteção dos peixes, das tartarugas marinhas, dos golfinhos e das baleias.

Na Ilha de Alcatrazes existe grande variedade de indivíduos da flora e da fauna. "Há grande número, por exemplo, de antúrio e de 'rainha do abismo' (flor). Foram descobertas duas espécies de sapo que ainda estão sendo descritas cientificamente. No total são cerca de 20 espécies novas", afirma Kempkes.

Ele informa que das duas novas espécies de sapo descobertas recentemente, uma já foi descrita cientificamente em 2008 e recebeu o nome de Cycloramphus faustoi. A outra espécie ainda está sendo descrita, mas, segundo ele, é uma espécie de Leptodactylus.

Embora os estudos ocorram desde antes da instalação física do ICMBio na região, as duas espécies de sapo, o antúrio e possivelmente também uma espécie de orquídea, foram descobertas de 2001 para cá. "Além dos estudos, há o trabalho do Projeto Tamar atuando na área para proteção das tartarugas e a presença de outros pesquisadores na área marinha", informa.

Pressionada pela indústria pesqueira, a Esec Tupinambás é formada por dois conjuntos de ilhas, ilhotas, lajes e parcéis no Oceano Atlântico, mais precisamente no litoral norte de São Paulo. O primeiro conjunto está no município de São Sebastião, a cerca de 17 milhas da costa - o Arquipélago dos Alcatrazes.

O arquipélago se divide em quatro subconjuntos insulares: Ilha do Paredão e seu Ilhote (ou Laje dos Trinta-Réis); Laje do SW, situada a sudoeste da Ilha dos Alcatrazes; quatro ilhotas: Ilha Abatipossanga, Ilha Guaratingaçu, Ilha Carimancuí e Ilha Cunhanbembe, conhecidas também como Ilhotas Negras ou Ilha do Oratório (ou do Sul), Ilha Rasa, Ilhota do Caranha e a Laje da Caranha; Laje do NE, situada a nordeste da Ilha dos Alcatrazes.

A Arie Queimada Grande, por sua vez, é formada por duas ilhas que, somadas, chegam a 33 ha. A Ilha de Queimada Grande tem 23 ha e a Ilha de Queimada Pequena tem 10 há. Está localizada no litoral sul de São Paulo, na altura dos municípios de Cananéia e Peruíbe.

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