Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Ivo Galindo
12 de Abr de 2006
Ninguém tem que sair de imediato da Raposa Serra do Sol, exceto se desejar. Esse foi o discurso do senador Mozarildo Cavalcanti nas reuniões realizadas na reserva indígena, sob a justificativa de que o prazo de 12 meses estava atrelado ao pagamento de indenização e ao reassentamento, ambos indefinidos.
O governo Lula, segundo o congressista, não cumpriu a sua parte em indenizar e em definir para onde serão levados os que vivem ou produzem na área demarcada. "Está havendo imposição sem que aspectos legais tenham sido honrados. Só deve sair quem se cansou das ameaças e dos terrorismos", frisou.
De outro lado, Mozarildo Cavalcanti enfatiza que existem procedimentos legislativos e jurídicos questionando a demarcação. "Não se trata de algo transitado e julgado. A expulsão não se justifica porque a homologação não é irreversível, existe possibilidade de revisão pelo Congresso e pelo Judiciário", declarou.
RETIRADA - A estimativa é de que serão retiradas aproximadamente 350 famílias de não-índios da área da Raposa Serra do Sol. A reserva reúne cerca de 13,3 mil habitantes, incluindo Uiramutã, Normandia e Pacaraima. Existem nas partes afetadas destes municípios, respectivamente, 57, 53 e 5 malocas indígenas.
Ao extremo sul e ao leste da área demarcada, numa faixa de várzea de pouco mais de 100 mil hectares, estão implantadas quase 85% das lavouras de arroz irrigado do Estado. Boa parte da colheita é comercializada no Amazonas e gera divisas a Roraima. Não está definido onde os rizicultores serão alojados.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.