Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
30 de Mai de 2005
O senador enfatizou que a comissão do Senado iria à reserva com objetivo de apaziguar os ânimos, investigar o que está acontecendo e colaborar para que o caso seja democraticamente resolvido. "Não podemos concordar é com qualquer ação que queira sufocar protestos". Ele informou que, em Brasília, quatrocentos índios de vários estados protestam contra a política indigenista do governo - e não se sabe quem os levou até lá - e fazem a sua manifestação legitimamente.
"Os nossos índios estão na casa deles. Violento é o procedimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, na abordagem dos cidadãos que transitam na BR-174. Eu fui abordado, tive que me identificar e apresentar documento do carro. Estamos em estado de sítio em Roraima? Nós estamos com algum tipo de exceção decretada pelo Estado? Não passou pelo Senado ou outro setor constituído desse país a aprovação dessa medida", declarou o senador Mozarildo.
O parlamentar se disse surpreso com a decisão do ministro Thomaz Bastos, que apesar de ter vivido os momentos da opressão, hoje adota uma postura radical. "Estamos colocando o Senado, como interlocutor do lado que quer dizer o que não disse antes porque não foi ouvido. Quero deixar claro que estes índios querem a demarcação, sim. Mas não aquela proposta ao presidente, de maneira fraudulenta, errada, enganosa".
O senador entende que o motivo da discordância é porque o Governo Federal demarcou a Raposa/Serra do Sol com 1,76 milhão de hectares e a sociedade quer uma redução de 320 mil hectares destinados a manter a sede do município (que o presidente queria extinguir por decreto) e quatro cidades centenárias instaladas antes das forças armadas lá chegarem. "Essas pessoas vivem lá há mais de um século, se miscigenaram e hoje não dá para saber quem é índio e quem não é índio. E elas serão retiradas para onde? Não dá para saber porque elas são parte da reserva", observou.
Mozarildo Cavalcanti diz que o estágio de aculturação dos índios nos três municípios afetados pela reserva é tão forte que num (Normandia) o prefeito é índio. Noutro (Uiramutã) a prefeita (do PT) é neta de índio com branco. E no terceiro (Pacaraima), o vice-prefeito é índio. "Não é a realidade dos índios que Pedro Cabral encontrou quando aqui chegou em 22 de abril de 1500. É outra realidade! Tanto que antropólogos a serviço não sei de quem, tentam reescrever a história e criar uma história que não corresponde a realidade pretendida pelos índios", detalhou.
O senador disse que a comissão não tentará calar os índios impedindo-os de externarem a vontade de dizerem como querem a área. "Aliás, o presidente Lula, que é um homem democrático, acostumado a assembléias, onde se vota tudo, por que não faz um plebiscito entre os índios que moram lá, para ver se eles querem a demarcação como foi proposta?", indagou, sugerindo
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