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Seminaristas do Sul catarinense integram missão religiosa em Ilha de Marajós

Folha Nobre http://folhanobre.com.br/sulista/
Autor: Gabriel Bosa
07 de Fev de 2018

Um grupo de seminaristas e universitários do Sul de Santa Catarina integrou uma excursão à cidade de Chaves, na Ilha de Marajó, no Estado do Pará. Ao todo, a Missão Káiros - que significa um tempo de graça, levou 22 pessoas, sendo 15 seminaristas e sete leigos (nome dado às pessoas simpatizantes à causa).

A ação foi organizada pelo Conselho Missionário de Seminaristas (Comise) do regional Sul IV. Entre os dias 13 e 31 de janeiro, os voluntários levaram a mensagem cristã para sete comunidades ribeirinhas, auxiliando nos ritos do sacerdócio e se integrando à realidade local.

A paróquia de Chaves tem por padroeiro Santo Antônio, composta por 90 comunidades, com distâncias mais extremas que chegam a 38 horas de barco. As comunidades são atendidas por um único padre, que as visita uma vez ao ano, em vista da grande carência de sacerdotes e missionários.

"Quando o padre visita uma comunidade, ele acaba realizando casamentos, batismos, primeira comunhão. O nosso trabalho é ensinar o sacerdócio para essas comunidades, como funciona o ritual eucarístico", ressalta o seminarista e missionário Luan Zanoni.

Choque de costumes

Durante os 18 dias de missão, os participantes se integraram aos costumes e à realidade dos povos ribeirinhos. O choque de cultura foi sentido logo nos primeiros dias, ressalta Luan.

"Eles não possuem distribuição de energia elétrica, então as casas recebem eletricidade de um gerador, mas apenas por até quatro horas por dia. Lá não existe chuveiro, todos os banhos são feitos de caneca. Não tem água mineral, a água que eles consomem é a da chuva ou de poços que é filtrada em barro", detalha.

Outra característica que contrasta com os costumes do Sul catarinense é a quase total dependência daquilo que a natureza oferece. "Eles vivem em função da natureza, e não da vontade humana", considera o missionário. "A alimentação deles é 100% da caça e pesca", complementa.

Aprendizado com as adversidades

Mesmo estando na posição de levar auxílio às comunidades, o seminarista ressalta que o contato intrínseco com os ribeirinhos também foi de muito aprendizado e autocompreensão.

"Nós fomos com o desejo de levar Cristo, levar este tesouro para eles, mas foi o contrário. Recebemos muito de Cristo deles, saímos ricos em espiritualidade pelo jeito simples de eles viverem", expõe.

Testemunhar as condições precárias das comunidades também refletiu na valorização da realidade. "Aqui nós temos tudo, mas, ao mesmo tempo, não temos nada. Lá eles não têm nada e ao mesmo tempo têm tudo. Lá muitos andam duas, três horas para chegar à igreja, e aqui muitas vezes deixamos de ir à missa no outro lado da rua porque está chovendo", expõe.

"A missão me fez ver muitas coisas aprendidas não porque me falaram, mas sobre tudo que vi e vivi. Nós, missionários, tornamos mais amigos e conhecidos em Jesus Cristo. Fomos levar Deus às pessoas e, no entanto, com sua humildade e modo simples de viver a vida calçada na fé, nos deram uma grande lição de evangelização. Em minha formação para o presbiterado. foi um dos maiores aprendizados", complementa o seminarista Vanio Margutti.

A missionária Maria Tereza também destaca o aprendizado adquirido com as dificuldades enfrentadas durante a missão.

"Foi um presente de Deus, que, ao desembrulhar a felicidade, pulsava cada vez mais em meu coração. Foi um tempo de graça, realização, amadurecimento e aprendizado. Conviver com as realidades diárias da comunidade e enfrentar os desafios, posso dizer que, sem dúvida, esta foi a minha melhor escolha".

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