Cimi-Brasília-DF
05 de Nov de 2004
O seminário "Subjetividade e os Povos Indígenas" acontece em
Luziânia, Goiás, a partir de hoje, dia 5, e, até domingo, colocará
em contato indígenas representantes de povos de todas as regiões do
país, psicólogos e psicólogas dos diversos Conselhos Regionais de
Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia, missionários dos
diversos Regionais e do Secretariado Nacional do Cimi.
"A presença destes representantes indígenas é o que dá razão e
sentido para as discussões, propostas e encaminhamentos que serão
realizados", diz o texto de preparação do Seminário. "Buscaremos
principalmente escutar os representantes indígenas, estabelecer com
eles um diálogo com relação aos diversos temas e construir juntos
diagnósticos, análises e propostas de encaminhamentos que sejam úteis
para a nossa perspectiva de compromisso concreto da Psicologia e dos
psicólogos e psicólogas com os povos indígenas em nosso país."
O Seminário pretende iniciar o resgate da divida histórica que as
ciências, de maneira geral, e a Psicologia, em particular, possuem
com os povos indígenas no Brasil. Ele é fruto da vontade política
manifestada por psicólogos brasileiros no IV Congresso Nacional de
Psicologia, realizado em 2001, e é organizado pelo Conselho Federal
de Psicologia e pelo Cimi.
O tema é visto como um desafio para os promotores do Seminário.
Estarão reunidos e dialogando indivíduos com identidades étnicas
distintas, membros de culturas que diferem da sociedade não índia na
forma de organizar sua visão de mundo, mas que estão em relação
constante com a chamada sociedade nacional.
Veja abaixo o texto da organização do Seminário sobre estes desafios
e a programação do Seminário.
O Desafio do Tema
Para os promotores deste Seminário há consciência da dimensão do
desafio proposto. Somos sabedores de todas as implicações e riscos
impostos pela temática Subjetividade, tratada a partir da perspectiva
de indivíduos com identidades étnicas distintas, vivendo
organizadamente em comunidades politicamente definidas como povos e
sociologicamente comprometidos com as "responsabilidades sociais" que
lhes são atribuídas nas respectivas culturas.
Assim sendo, estarão dialogando distintas culturas e distintos atores
representantes das mesmas: líderes espirituais, chefes políticos,
professores indígenas, agentes de saúde, jovens, idosos, homens,
mulheres. Cada um deles é portador de representações simbólicas com
toda a implicação política que por si só já revelam ou traduzem as
suas subjetividades.
Além do mais, cada indígena participante é parte de uma cultura que
se manifesta em sua inteireza cosmológica. Diferentemente das
sociedades não índias, nas culturas indígenas não há
compartimentalização, pois é vista e vivenciada como um todo: terra e
territorialidade; homem, mulher e natureza; religião, mito e rito;
economia, reciprocidade e autonomia... As relações sociais, portanto,
se dão nestes contextos vistos externamente como de extrema
complexidade, porém cotidianamente experienciado na vida dos seus
membros de maneira simples e funcional.
Mas sabemos também estarem estas comunidades e seus membros em
relação constante com a chamada sociedade nacional. Isto lhes impõe
várias demandas, desde a forma como estabelecer diálogos
interculturais até a solução de problemas resultantes dos diálogos
estabelecidos. É evidente que nestes "diálogos" interferem de maneira
prejudicial o violento processo histórico de como o Estado Brasileiro
e, antes dele, o Estado Português estabeleceram o contato e mantém
suas relações atuais com os povos indígenas.
É, portanto, plenamente conscientes de todos estes condicionantes que
os promotores do Seminário assumem o desafio.
Programa do Seminário
1. Introdução
2. Debate do tema "Subjetividade e as relações das comunidades
indígenas com a sociedade nacional"
Neste tema, buscaremos compreender os significados que o conceito
Subjetividade tem para as comunidades indígenas, nas suas diversas
culturas, e as maneiras pelas quais esta Subjetividade interage,
entra em conflito, se relaciona com a sociedade nacional e seus
agentes.
A partir desta compreensão, poderemos definir um campo possível de
contribuição da Psicologia para as comunidades e povos indígenas, do
ponto de vista da saúde, dos processos educacionais, dos processos de
luta ou de resgate cultural etc.
Sabemos que o conceito de Subjetividade é saturado de
condicionamentos sociais, históricos, ideológicos e culturais, porém
buscaremos, a partir das falas dos próprios representantes indígenas,
reconstruir os significados que eles próprios dão a este conceito,
suas conseqüências para a vida cotidiana, na interação das
comunidades com a sociedade envolvente e as perspectivas que se abrem
para o exercício comprometido da Psicologia.
3. Debate do tema "Subjetividade e as relações internas nas
comunidades indígenas"
Neste tema, buscaremos compreender os significados que o conceito de
Subjetividade tem para as comunidades indígenas no que diz respeito
ao seu lugar nas relações comunitárias e sociais, ou seja, no
interior da vida de cada povo indígena presente neste Seminário.
A partir da escuta e do diálogo com os representantes indígenas,
buscaremos construir análises com relação a vivência da Subjetividade
nas diversas comunidades e culturas indígenas assim como com relação
às possibilidades de contribuição da Psicologia para o fortalecimento
dos processos de afirmação étnico-cultural, de resgate cultural e de
reconstrução étnica.
Sabemos que, neste âmbito densamente cultural, as aproximações e
análises com relação à Subjetividade certamente vêem saturadas de
conceitos e visões éticas, filosóficas, religiosas e culturais
histórica e socialmente determinadas. Porém, como no tema anterior,
buscaremos nos pautar pelas falas dos próprios representantes
indígenas para reconstruirmos os diversos lugares possíveis da
Subjetividade nas diversas comunidades e culturas presentes e para
descobrirmos juntos as possibilidades de contribuição da Psicologia
para o fortalecimento dessas mesmas comunidades e culturas e para a
qualidade de vida de seus membros, a partir de seus próprios
parâmetros e projetos de vida.
4 - Propostas e Encaminhamentos
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