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Seminário discute certificação florestal

O Liberal-Belém-PA
17 de jun de 2003

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) promove hoje, das 8h30 às 19 horas, no Teatro Maria Sylvia Nunes, o Seminário "Certificação Florestal na Amazônia: Avanços e Oportunidades". O evento também marca o lançamento do Grupo de Produtores Florestais Certificados da Amazônia (PFC), que tem como objetivo reunir empresas privadas e comunidades tradicionais em busca da promoção do "bom manejo e da responsabilidade social". Entre os participantes estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro da Integração, Ciro Gomes.

O engenheiro florestal e pesquisador do Imazon, Leonardo Sobral, disse que o seminário vai debater as políticas e créditos florestais, os avanços e as oportunidades para o setor ao optar pela certificação. Também haverá o lançamento da "Carta de Belém", um manifesto em defesa do manejo florestal sustentável.

O Imazon defende a certificação como um instrumento estratégico para o desenvolvimento do setor florestal. Segundo Leonardo, o "selo verde" comprova que uma empresa é "ambientalmente adequada, socialmente justa e economicamente viável". Entre os critérios observados estão a utilização de técnicas de extração de baixo impacto, com redução de até 50% dos danos da exploração floresta.

A certificação é feita pela Organização Não Governamental (ONG) Forest Stwartship Council (FSC), que significa Conselho de Manejo Florestal, com sede no México. O selo da FSC, explica o pesquisador da Imazon, abre várias oportunidades de negócios para produtos florestais. As empresas certificados com o "selo verde", além de conseguirem sobrepreço, ainda atendem as demandas de mercados específicos, como Holanda, Bélgica e Alemanha. Os reflexos para o setor também são animadores. Entre eles, a melhoria na qualidade da produção e a geração de renda e emprego.

Segundo dados da Imazon, hoje a demanda por produtos certificados da Amazônia é cinco vezes maior do que a oferta. O setor florestal representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, gerando 50 mil empregos diretos e indiretos. A Amazônia também é a segunda maior produtora de madeira tropical, atrás somente da Indonésia. Na última década, o setor cresceu entre 3% e 5%, e as exportações de produtos beneficiados de madeira - como móveis, portas e janelas -, 25% ao ano.

Na avaliação do pesquisador da Imazon, o principal problema do segmento está na extração não-manejada, que representa a maioria do setor - cerca de 90% da produção -, uma realidade que provoca vários impactos ecológicos. Outro desafio para adoção do manejo, aponta Leonardo, é a falta de terras legalizadas.

No Pará, três empresas (Cikel Brasil Verde, Juruá Florestal e a Lisboa Madeireira) já integram o PFC, com a certificação dos projetos de manejo concedida às empresas, que possuem áreas próprias de floresta. Outras seis possuem certificação da cadeia de custódia - que fabricam produtos certificados a partir dessa matéria-prima (Cikel, Juruá, Nordisk, Eldorado, Eidai e Tramontina). De acordo com a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex), entre as que estão em processo de certificação estão a Pampa, MG, Madenort, Emapa.

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