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Sem terras, índios vivem na miséria

Estadão do Norte-Porto Velho-RO
20 de Ago de 2002

Muitos índios de Rondônia já estão vivendo uma situação dramática. Sem terras para habitar, alguns estão migrando para os grandes centros urbanos, engrossando os bolsões de miséria. Enquanto isso, funcionários da Funai continuam recebendo altos salários, sem nada fazerem para evitar as invasões das reservas indígenas. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), com a expansão agropecuária e a colonização, os índios foram violentamente empurrados e encurralados entre os invasores.
"Os que sobreviveram às epidemias e aos massacres, em sua quase totalidade, tiveram suas terras consideravelmente reduzidas; muitos foram expulsos de suas terras ou deslocados para terras tradicionais de outros povos. Muitos indígenas foram forçados a conviver e trabalhar em seringais, na extração de látex, poaya e caucho. E as mulheres indígenas forçadas a casarem com seringueiros", diz a assessora jurídica da Coordenação Regional do Cimi em Rondônia, advogada Maria Cecília Filipini (Bia).
Entre os índios que perderam suas terras e foram obrigados a conviver em áreas de outros povos, estão os Aruá, Jaboti, Aricapú, Campé, Macurap, Ajurú e Cujubim. "Partes desses índios, entretanto, vivem desaldeados. Outros perderam tudo mesmo, como são os casos dos Puruborá, Miquelenos e Uro Boni. Vivem desempregados e sem terras para plantar e garantir-lhes meios de sobrevivência; alguns em estado de extrema miséria", denuncia a assessora jurídica do Cimi.
Sobre a questão da saúde, Cecília Filipini lembra que, apesar da lei garantir atendimento diferenciado, "a Funasa lhes nega tal atendimento por não possuírem documentos.

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