O Globo, Economia, p. 22
Autor: ANDERSON, Norman
20 de Abr de 2010
Sem plano B para Belo Monte
Corpo a Corpo
Norman Anderson
Presidente da Consultoria americana CG/LA, especializada em infraestrutura, Norman Anderson diz que um país do tamanho do Brasil não pode ficar sem "um plano B", caso não consiga realizar o leilão de Belo Monte. A obra, diz, é muito complicada (em relação aos danos ambientais).
Cássia Almeida
O Globo: Como especialista em infraestrutura, o megaprojeto de Belo Monte é a solução para o gargalo energético do país?
Norman Anderson: Belo Monte é muito complicada.
Fica longe das áreas de serviço. Um país grande como o Brasil não pode ficar sem um plano B de geração de energia.
Mas o país não precisa de grandes projetos de infraestrutura para crescer?
Anderson: Belo Monte não é como Itaipu, que mudou a cara do Brasil naquela época. Há novas tecnologias e não se pode escolher a energia mais barata sempre.
Quais seriam as outras opções mais viáveis?
Anderson: Há o gás natural.
As reservas brasileiras devem durar ainda por cem anos. Belo Monte é o último suspiro de um modelo energético ultrapassado.
Por que é ultrapassado?
Anderson: Estão investindo na mesma coisa, em energia hidrelétrica, enquanto avança a inovação tecnológica em outras fontes de energia.
Mas a energia hidrelétrica não é mais limpa?
Anderson: Mas os danos ambientais de Belo Monte são grandes e ninguém quer isso. Falta visão em Brasília. Não há uma coordenação. Em pesquisa recente que fizemos com empresários e engenheiros, essa falta de visão, de uma coordenação por parte do governo, apareceu. E não existe, no mundo, projeto de infraestrutura sem a participação do Estado. E uma Parceira Público-Privada, com o público fraco.
não acontece.
O Globo, 20/04/2010, Economia, p. 22
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