CB, Brasil, p. 10
29 de Mai de 2006
Sem direito a imagens
Por problemas técnicos, o satélite responsável por monitorar o desmatamento e a grilagem de terras não está operando no país
Um dos satélites mais importantes para o Brasil, o CBERS-2, está sendo desativado quando se aproxima da América do Sul. O desligamento neste trecho ocorre há três semanas. Isso significa que ele não capta imagens quando passa pelo céu brasileiro. Sem as imagens do satélite, órgãos do governo estão sem monitorar o desmatamento na Amazônia, a ocupação demográfica nas zonas rural e urbana, a grilagem de terra e outros crimes ambientais. Isso porque o monitoramento feito pelo CBERS-2 é essencial para os trabalhos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros órgãos.
O CBERS-2 foi lançado ao espaço em outubro de 2003 num consórcio formado pelo Brasil e China. No acordo entre os dois países, o Brasil assume o comando do satélite durante seis meses e os chineses, na outra metade do ano. Neste momento, os controles estão com a China. No entanto, quando o satélite chega à Venezuela, suas câmeras são desativadas propositalmente. Os equipamentos ficam desligados até que o satélite saia do céu brasileiro. Assim que chega na Argentina, as câmeras são ligadas.
Desligar as câmeras é uma exigência dos chineses, embora o satélite também seja brasileiro. Segundo a China, as câmeras são desativadas para que a vida útil do satélite seja prolongada. "A partir da semana que vem, os chineses vão permitir que as câmeras sejam ligadas", diz Ricardo Cartaxo, coordenador do Programa CBERS do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Para ser lançado ao espaço, o CBERS-2 consumiu US$ 80 milhões, sendo que 30% desse custo foi bancado pelo governo brasileiro e 70% pela China. Para captar imagens, o Inpe montou uma estação receptora em Cuiabá. De lá, as imagens desse satélite são enviadas para mais de 10 mil usuários, sendo que mais da metade são órgãos do governo e universidades. "O prejuízo é que esses órgãos ficam sem receber imagens do satélite", ressalta Cartaxo.
O CBERS-2 entrou em órbita a uma altitude de 778km, fazendo cerca de 14 revoluções por dia. Consegue obter a cobertura completa da Terra em 26 dias. Capta imagens a 20m do solo. No site do Inpe, o órgão informa que o satélite tem suas câmeras desativadas "em função de um problema relacionado ao suprimento de energia do CBERS-2". O satélite é composto por dois módulos. Um é a "carga útil", onde são acomodadas as três câmeras. Até o desligamento das câmeras do satélite, haviam sido distribuídas cerca de 160 mil imagens para os usuários.
O Programa CBERS colocou o Brasil entre os poucos países que detém a tecnologia do sensoriamento remoto, utilizada no monitoramento ambiental, aplicações como mapas de queimadas e desflorestamento da Amazônia. Hoje, o Brasil é o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo
CB, 29\05\2006, Brasil, p. 10
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