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Selo para o turismo ambiental

OESP, The Waal Street Journal Americas, p.B12
Autor: LISSER, Eleena de
07 de jul de 2004

Selo para o turismo ambiental
No Brasil, consultores recebem primeiros certificados esta semana
Por Eleena de Lisser
The Wall Street Journal

Eletrodomésticos, frutas e carne têm seus atestados de procedência e qualidade. Por que não um passeio nas florestas tropicais da América do Sul?
Um esforço está sendo feito para a criação de padrões abrangentes de certificação para o ecoturismo. Em setembro passado, foi lançada na Bahia uma rede de certificação de turismo sustentável. Outras ações do tipo estão ocorrendo ao redor do mundo e, se tudo der certo, isso pode dar aos turistas uma nova ferramenta para planejar férias.
Armados com mais de US$ 4 milhões em recursos da Fundação Ford e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ambientalistas estão traçando programas que vão credenciar e certificar hotéis, atrações e operadoras de ecoturismo. Com programas de credenciamento e certificação, pelo menos em tese, os viajantes poderão mais facilmente discernir quais empresas de turismo estão protegendo recursos naturais e distribuindo riqueza em suas áreas locais, e quais não estão.
A Rainforest Alliance e várias outras organizações estão apoiando o desenvolvimento da Rede de Certificação de Turismo Sustentável das Américas, lançada em Salvador dia 30 de setembro. A primeira fase é criar redes regionais e determinar, no nível regional, que padrões mínimos todos os membros da rede devem ter.
Na Europa, pelo menos dez organizações diferentes se uniram para criar um "eco-selo" turístico para atestar a qualidade ambiental dos hotéis, áreas de camping, praias e marinas certificadas na região. Na África do Sul, uma organização sem fins lucrativos está defendendo uma designação de "turismo comércio justo", similar ao selo de comércio justo usado para café e outros alimentos, para indicar que os moradores locais estão se beneficiando, ambiental e financeiramente, do turismo. A Austrália já tem um programa de certificação que credencia alguns passeios, atrações e acomodações.
No Brasil, o Instituto de Hospitalidade, uma ONG voltada ao turismo, com apoio de três outras instituições, entre elas BID, criou o Programa de Certificação em Turismo Sustentável - que faz parte da rede de certificação das Américas. A primeira turma de consultores a receber certificados será formada esta semana, disse Viviane Assunção, consultora do PCTS.
O turismo para "pontos altos da biodiversidade" em países como Brasil, Belize, Tailândia e Vietnã, entre outros, está crescendo rapidamente. Por exemplo, Belize, um país de língua inglesa da América Central, que não estava exatamente no radar das operadoras de turismo acessíveis financeiramente dez anos atrás, é agora um destino freqüente e comum de navios de cruzeiro. Os dólares do turismo que ficam no destino turístico podem beirar só 10% do total, já que as empresas envolvidas geralmente são controladas e operadas por gente de fora, de acordo com conservacionistas e a Mintel International Group Ltd, uma firma de pesquisa de mercado da Grã-Bretanha.
Ambientalistas e conservacionistas dizem que a crescente onda de viajantes resulta em maior desgaste para ecossistemas sensíveis e na erosão do charme cultural que inicialmente atrai os visitantes. Eles acreditam que deve haver alguma maneira de destacar aquelas entidades de turismo, de hotéis a operadoras de turismo, que gerem seus negócios de maneiras que sustentem o ambiente, preservem a cultura e injetem um benefício econômico tangível na comunidade local.
A despeito das boas intenções, há obstáculos para a criação de uma certificação que seja aceita pelo setor de turismo e faça sentido para os consumidores. Michael Kaye, presidente da operadora de turismo americana Costa Rica Expeditions, diz que é a favor de as empresas fazerem sua parte para conservar os recursos naturais e culturais. Mas ele questiona se a maioria dos consumidores realmente se importa. Os consumidores podem dizer que essas questões são importantes, mas quando vêem o custo, escolhem a operadora mais barata, diz.

- Cláudio Brandt colaborou neste artigo.

OESP, 07/07/2004, p. B12

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